As metas fiscais do PLDO 2025 e as consequências para o país

abril 16, 2024
O 'Trio Parada Dura' de Haddad

[ad_1]

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias relativo ao exercício de 2025 é o primeiro sob a vigência da LC nº 200, de 2023. A LDO 2024 já havia estipulado uma trajetória de ajuste fiscal com meta de déficit zero para 2024 e indicativo de superávit de 0,5% do PIB para 2025 e de 1% do PIB para 2026.

Tratou-se de números ambiciosos, suportados pelas regras do novo limite de gastos introduzido pela LC nº 200/2023. Ocorre que nesses doze meses, desde o envio do PLDO 2024 ao Congresso Nacional, as projeções fiscais dos agentes econômicos continuaram a retratar um déficit bem acima dos valores estabelecidos na LDO, não apenas para 2024, mas também para 2025 e 2026.
Tal fato se deu em que pese a aprovação de medidas de elevação de receita ao longo de 2023, bem como do ótimo desempenho arrecadatório do primeiro trimestre de 2024. Um dos problemas foi a ausência de medidas voltadas para a despesa que, aliás, cresceu de modo significativo em 2023.

Nesse contexto, acrescido do cenário externo desfavorável (política monetária dos Estados Unidos e tensão no Oriente Médio), o PLDO 2025 trouxe mudanças que tornaram mais incerta a garantia da sustentabilidade fiscal. Em particular, a trajetória de ajuste fiscal prevista foi alterada, de modo a torná-la mais gradual, alimentando o pessimismo do mercado quanto à efetiva disposição do atual governo de melhorar a situação fiscal ainda no atual mandato.

Assim, embora a meta de déficit zero de 2024 tenha sido mantida, a meta para 2025 foi definida em zero, tal qual 2024, inferior ao 0,5% do PIB que havia sido indicado pela LDO 2024. No entanto, a mera redução a zero do compromisso para o ano que vem não seria capaz de deteriorar as expectativas dos agentes econômicos na intensidade verificada nos últimos dias.

No PLDO, a meta zero para 2025 só é alcançada quando se descontam das despesas os precatórios que excedem o limite específico, no montante de R$ 39,9 bilhões. Incluindo-se esse montante passa-se a um déficit de R$ 29,1 bilhões ou 0,23% do PIB. É fato que o desconto dos R$ 39,9 bilhões foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal quando apreciou o tema no fim do ano passado. Mas seria desejável definir a meta zero sem a exclusão, já que, do ponto de vista da sustentabilidade fiscal e da dívida, o que interessa é o resultado efetivo.

Ademais, por determinação da LC nº 200/2023, a meta pode ser considerada cumprida, desde que o resultado efetivo fique em um intervalo que vai de mais a menos 0,25% do PIB, em relação ao centro da meta. Em 2025, o intervalo inferior seria de R$ 31 bilhões. Isso quer dizer que a meta pode vir a ser considerada cumprida mesmo com um déficit de R$ 70,9 bilhões (39,9 + 31), o equivalente a 0,57% do PIB! Isso é bem diferente de zero, não é, caro leitor?

[ad_2]

Fonte da notícia

Diretamente da redação, artigo publicado por:

jornalismo

Notícias Relacionadas

6ab1335f426b6340689197 band fm conquista
Economia

Braskem já alcança mais de dois terços da meta de redução de emissões até 2030

Programa de descarbonização da empresa já reduziu mais de 1,2 milhão de toneladas de CO₂e por ano; projetos na Bahia respondem por 200 mil toneladas

A Braskem já atingiu mais de dois terços da meta de reduzir em 15% as emissões absolutas de gases de efeito estufa (GEE) de suas operações até 2030. De acordo com a companhia, iniciativas do Programa de Descarbonização Industrial já em funcionamento contribuem para uma redução superior a 1,2 milhão de toneladas de CO₂e por […]

Tribuna da Bahia
Economia

MP pede suspensão de reajuste do Bolsa Família

TCU pediu nesta quinta-feira (17) a suspensão imediata do reajuste dos benefícios do Bolsa Família

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu, nesta quinta-feira (17), a suspensão imediata do reajuste dos benefícios do Bolsa Família anunciado pelo governo federal. A representação foi apresentada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que solicitou uma medida cautelar para impedir os pagamentos com os novos valores até a análise do […]

Mudanças climáticas podem aumentar preços de alimentos ainda em 2024
Economia

IPCA registra deflação de 0,32% em agosto, menor resultado para o mês desde o Plano Real

Queda foi influenciada principalmente pela redução no preço da energia elétrica, além de recuos em alimentos, transportes e comunicação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE. O resultado ficou 0,39 ponto percentual abaixo da variação de 0,07% registrada em julho. No acumulado de 2026, a inflação chega a 3,11%, enquanto nos últimos 12 meses o índice ficou em 4,22%, abaixo dos […]