O preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente chamado de gás de cozinha, quase dobrou em Salvador nos últimos cinco anos. Em junho de 2020, a média era de R$ 70; em agosto de 2025, chegou a R$ 145, segundo dados do Sindicato de Revendedores de Gás.
O aumento coloca o item entre os que mais pressionam o orçamento familiar. É o caso da cozinheira Rosenildes Barros, que consome três botijões por mês:
“Está difícil. Eu preciso do gás e sempre está aumentando. Pagando aluguel, a embalagem… fica muito difícil. É o dia a dia, e nosso lucro fica onde?”, desabafa.
Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o aumento para o consumidor tem sido maior do que o registrado nas refinarias. Na Bahia, os preços do gás são definidos pela empresa Acelen, que administra a refinaria de Mataripe, com reajustes aplicados todo dia 1º de cada mês.
Até 2024, a Bahia apresentava valores entre os mais altos do país. Este ano, os preços se aproximaram da média nacional, não por redução local, mas pelo aumento em outros estados.
O custo final também varia conforme a localização. Em bairros mais distantes ou com logística difícil, os valores costumam ser maiores, explica Robério Souza, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás:
“Na distribuição, há pouca competição. Aqui na Bahia existem quatro grandes distribuidoras, no país, são sete. Isso reduz a competição e pressiona os preços. Entre os revendedores locais, sim, há disputa, mas na distribuição, não. Isso impacta diretamente o consumidor.”
Além disso, influenciam o preço a refinaria, o transporte e a carga tributária. Para quem depende do gás diariamente, cada alta pesa no bolso. Gisele da Silva, mãe solo e empresária, exemplifica:
“Na minha casa, o gás encanado também teve um aumento muito grande. Sobre os valores, as queixas são constantes. E no meu restaurante, chego a usar um botijão a cada dois dias. Então eu tenho um custo médio de R$ 1.400 a R$ 1.500, dependendo do movimento. É um absurdo diante de tantos custos, tantos gastos, que vivemos hoje no Brasil.”
No início deste mês, a Bahiagás informou a redução das tarifas do gás natural em 6,19%.
Em Vitória da Conquista, comerciantes têm buscado alternativas para lidar com o aumento. Cirleide Barbosa, que mantém um restaurante no Alto do Maron há 10 anos, detalha estratégias para equilibrar preço e qualidade:
“Adotei algumas medidas: uso mais a panela de pressão quando possível, regulo melhor o fogão industrial e compro um gás de qualidade, porque nem sempre o mais barato é o melhor.”
No município, o gás mais barato encontrado custa R$ 97. Paulo Henrique explica como comprar pelo aplicativo: basta cadastrar o telefone, receber o código via WhatsApp e pagar. A entrega custa em média R$ 120, com pequenas variações dependendo do método de pagamento.
Célia, distribuidora de água e gás, explica como manter a qualidade e entender a variação dos preços:
“Se você pega na portaria, paga entre R$ 110 e R$ 115. Para entrega, há a taxa, e o preço fica em R$ 120. O valor muda se for pago no cartão de crédito, com acréscimo de R$ 5; no Pix ou em dinheiro, fica R$ 120.”