Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (2) revelou que os jogos de azar e as apostas online causam perdas de R$ 38,8 bilhões por ano ao Brasil. O valor inclui gastos com saúde, desemprego, afastamentos do trabalho e até mortes por suicídio. Produzido pelo Ieps, pela Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental, o levantamento mostra que o prejuízo seria suficiente para ampliar programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
Segundo os pesquisadores, 17,7 milhões de brasileiros apostaram em apenas seis meses, e 12,8 milhões já estão em situação de risco. As perdas mais altas são relacionadas à saúde, que concentram R$ 30,6 bilhões do total. O crescimento das bets, impulsionado pela tecnologia e pela falta de regulação mais firme, também tem aumentado o endividamento das famílias. Dados do Banco Central apontam que, só em 2024, os brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às apostas.
O estudo chama atenção para o fato de que apenas 1% da arrecadação das bets é direcionada ao Ministério da Saúde. Atualmente, o setor é tributado em 12% sobre a receita bruta, mas o Senado discute um projeto que eleva a alíquota para 24%. Os apostadores ainda pagam 15% de Imposto de Renda sobre os prêmios. Em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em apostas, e a arrecadação federal com o segmento deve chegar a R$ 12 bilhões neste ano.
Para reduzir os danos, especialistas sugerem aumentar os recursos destinados à saúde, capacitar profissionais, restringir o acesso de pessoas vulneráveis, proibir propagandas e adotar regras mais duras para as empresas de apostas. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, porém, critica o aumento de impostos e afirma que isso pode fortalecer o mercado clandestino, que já representa mais da metade das apostas online no país.