Robson Jesus: O brasileiro que quebrou o recorde de visitar todos os países do mundo
Robson Jesus é empreendedor, colunista da Folha de São Paulo e recordista do Guinness World Records, como o homem mais rápido a visitar todos os 196 países do mundo, em apenas 2 anos e 42 dias.


Em uma entrevista exclusiva ao Jornal Band News, Robson compartilhou detalhes de sua jornada dando uma volta ao mundo em 2 anos de 42 dias.
Acho que o momento mais desafiador foi no início da viagem, quando tudo ainda era muito incerto. Eu comecei a viajar no final da pandemia e com a guerra da Ucrânia iniciada, e muitos países estavam com fronteiras fechadas. Eu não sabia se seria possível, mas a vontade de viver meu sonho falou mais alto,” relembra.
Desde muito jovem, ainda criança, Robson alimentava o sonho de conhecer o mundo.
Quando eu tinha 10 anos, trabalhava no mercado perto de casa e sempre via imagens de outros países no jornal. Eu olhava aquilo e pensava: ‘um dia vou conhecer esses lugares’. Um sonho de criança,” contou. Natural de Osasco, São Paulo, e com uma infância marcada por dificuldades financeiras e familiares, a ideia de viajar parecia impossível. “Nasci na maior favela de São Paulo, fui abandonado pelo meu pai aos 5 anos. Por muito tempo, dividi a cama com dois irmãos, e só tinha uma refeição por dia. A chance de realizar esse sonho era quase nula,” afirmou.
Contudo, o desejo de explorar o mundo nunca desapareceu. Durante a pandemia, Robson, já em sua fase adulta, decidiu tomar uma atitude radical. “Eu estava conversando com uma amiga, e disse: ‘vou realizar meu sonho, vou visitar todos os países do mundo’. Ela me apoiou, e com isso, comecei a acreditar que era possível,” relembra.
Sem recursos financeiros, Robson precisou vender tudo o que tinha para arrecadar dinheiro para sua viagem.
Vendi a geladeira, o sofá, a TV… eu não tinha dinheiro, mas a vontade de viver essa aventura era maior. No final, consegui reunir R$ 90 mil. Isso me ajudou a dar o primeiro passo,” explica.
Sua viagem começou pela Tailândia, e ao longo do percurso, ele precisou se adaptar constantemente. “Era tudo novo, muito imprevisível. Tinha momentos em que eu estava em países de guerra, sem saber se conseguiria sair de lá em segurança. Mas a vontade de seguir em frente me impulsionava.”
A jornada de Robson foi marcada por situações surpreendentes e até bizarras. Em países como o Turcomenistão, ele enfrentou regras extremamente rígidas impostas pelo governo local, onde os cidadãos eram obrigados a seguir uma série de normas autoritárias, como só dirigir carros brancos e morar em casas brancas. “Eu tinha que ser monitorado o tempo todo. Era um país com um regime muito rígido. Se você não seguisse as regras, não podia nem entrar,” diz ele.
Ele também vivenciou choques culturais, como na Etiópia, onde participou de um ritual cultural chamado ” Bull Jumping”, onde as mulheres apanham de homens, como um símbolo de preparação para o casamento. “Foi um choque cultural grande, mas também um aprendizado muito grande sobre diferentes tradições e formas de ver o mundo”, compartilhou Robson.
Mas, quando se fala em desafios passados, Robson também teve experiências que marcaram sua vida, como quando ficou hospedado em um campo de refugiados em Malawi, onde conheceu pessoas que, apesar das adversidades, mantinham uma energia positiva e de solidariedade.
As pessoas no campo de refugiados viviam com apenas $5 dólares por mês, mas estavam sempre sorrindo, ajudando umas às outras. Eu aprendi ali o verdadeiro significado de comunidade e felicidade,” afirmou, emocionado.
Durante a viagem, Robson também utilizou suas plataformas digitais para gerar renda e financiar sua jornada.
Eu comecei a trabalhar com marketing digital, dando palestras, mentoria e consultoria online. Foi assim que consegui me manter. Hoje, ajudo outras pessoas a empreender na internet,” conta Robson, que trabalhou com grandes marcas, como Bradesco e Corona.
Com a popularidade crescendo, Robson se tornou um influenciador digital e colunista da Folha de São Paulo, compartilhando suas experiências e incentivando seus seguidores a perseguirem seus próprios sonhos.
Eu nunca imaginei que seria um influenciador digital. Meus vídeos começaram a viralizar e a partir disso as portas começaram a se abrir,” relembra.
A experiência de viajar por 196 países não só mudou a vida de Robson, mas também o fez refletir profundamente sobre a humanidade e a importância de ajudar o próximo. “Quando você vê pessoas vivendo em condições extremas e ainda assim sorrindo, você começa a valorizar as pequenas coisas da vida, diz. Sua jornada também o fez perceber a importância das organizações internacionais como a ONU, que ajudam a transformar realidades de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Agora de volta ao Brasil, Robson diz ter se dedicado a compartilhar seus aprendizados e inspirar outros a acreditarem em seus sonhos.
Eu saí da periferia, sem dinheiro, e hoje estou aqui, compartilhando minha história com o mundo. Se eu consegui, qualquer um pode conseguir. O importante é acreditar em si mesmo e ousar sonhar grande.”
Seu projeto mais recente inclui palestras e mentorias em comunidades periféricas, com o objetivo de levar a educação e inspirar jovens a seguirem seus próprios caminhos de sucesso.
Quero levar a minha experiência para as favelas do Brasil. Mostrar que é possível, independentemente da origem, alcançar grandes feitos,” afirma Robson.
Confira a entrevista completa:
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por Ana Flávia Costa, sob supervisão