A Justiça da Bahia decretou a prisão temporária de Pedro Henrique Sales, de 21 anos, suspeito de cometer importunação sexual contra uma moradora de 35 anos em uma academia de condomínio, em Feira de Santana. O mandado foi expedido após a Polícia Civil reunir indícios de autoria do crime, registrado no último domingo (19). Desde o episódio, o estudante de Educação Física não foi mais visto no condomínio e é considerado foragido.
As investigações apontam que, antes da ação, o suspeito teria alterado a posição de uma câmera de segurança da academia para dificultar o registro do crime. Para a polícia, a atitude demonstra planejamento e reforça a suspeita de que outras mulheres possam ter sido alvo de condutas semelhantes sem terem percebido. A Polícia Civil instaurou inquérito por importunação sexual e segue realizando diligências para localizar Pedro Henrique Sales e cumprir o mandado de prisão.
A vítima procurou a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), onde registrou boletim de ocorrência e solicitou uma medida protetiva. Bastante abalada, ela relatou os impactos causados pelo episódio. “Eu não estou me sentindo segura nem em casa, nem em lugar nenhum. Não fui trabalhar, tenho meu filho e não consegui dar a assistência que ele precisa. Ainda estou assustada com toda essa situação”, desabafou.
Entenda o caso
O crime aconteceu no último domingo (19), na academia de um condomínio localizado em Feira de Santana, no centro-norte da Bahia. A moradora, de 35 anos, realizava um treino e, como fazia de costume, posicionou o próprio celular em uma janela para gravar os exercícios. Após concluir a atividade, ela assistiu às imagens e percebeu que havia sido observada por Pedro Henrique Sales durante todo o treino.
No vídeo, o estudante de Educação Física aparece se masturbando enquanto observa a vítima, sem que ela percebesse o que acontecia. Logo após o ato, o suspeito deixa o local. As imagens gravadas pelo celular da moradora foram anexadas à investigação e se tornaram uma das principais provas do caso.
A repercussão do episódio ocorre na mesma semana em que o Grupo Bandeirantes lançou a campanha Band Não Se Cala, voltada ao combate à violência contra a mulher e ao incentivo à denúncia de casos de agressão, estupro e feminicídio. Segundo dados divulgados pela campanha, uma mulher aciona a Polícia Militar em busca de ajuda a cada 30 segundos no Brasil. Além disso, o país registra, em média, um estupro a cada seis minutos e um feminicídio a cada seis horas, evidenciando a gravidade da violência de gênero e a importância da denúncia e do acolhimento às vítimas.
Por Amanda Motta, sob supervisão