A novela que envolve o PSD e o senador Ângelo Coronel continua e, segundo o jornalista e colunista de política da Band Bahia, Victor Pinto, uma posicionamento do senador Otto Alencar tenta apaziguar a situação para que um rompimento não aconteça.
Uma fala do senador Otto Alencar cumpre um papel muito claro de tentar conter danos e evitar um rompimento que hoje é tratado como possibilidade real. Ao citar o caso de Lídice da Mata em 2018, Otto Alencar recorre a memória política como um argumento estratégico. A mensagem é bastante direta: projetos coletivos exigem sacrifícios individuais. Lídice foi retirada da chapa majoritária, engoliu a decisão, disputou a Câmara e permaneceu no grupo. O governo seguiu de pé”.
Ao analisar a fala do senador, Victor Pinto evidencia que, apesar da situação seja no mínimo parecida, os contextos e os personagens são diferentes.
O problema é que são contextos e personagens que mudam. Lídice foi rifada em nome de uma engenharia política que beneficiou justamente Ângelo Coronel, a época alçado ao Senado sob o argumento da força do PSD. Agora, Coronel se vê numa posição inversa, pressionado a ceder espaço em nome do mesmo grupo que um dia o promoveu”.
Por conta disso, os resultados podem ser diferentes do que foram em 2018, como explicou o jornalista.
E aí que a comparação começa a arranjar. Otto tenta sensibilizar, mas também se descola da decisão ao afirmar que cada um pensa de um jeito, traduzindo: o partido, o PSD, não vai romper, não quer romper, mas reconhece que Coronel pode reagir de forma diferente e tem direito a isso”.
Victor Pinto ainda fez uma análise das consequências que esse possível rompimento pode causar dentro do partido.
O gesto de Otto revela uma preocupação. Um eventual rompimento de Coronel não seria apenas pessoal, mas eles também carregariam simbolismo, escancarariam fissuras internas do PSD e expõe o custo político das escolhas feitas até então. A tentativa de apaziguar está posta. Resta saber se vai ser a tempo”.
Por Matheus Guimarães, sob supervisão