O impacto do uso de dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes tem gerado crescente preocupação entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Com base nesse cenário, um estudo desenvolvido na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), campus de Jequié, investigou a possível relação entre o tempo de exposição às telas e o agravamento dos sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
A pesquisa foi conduzida por Kalil Farias, estudante de Medicina da instituição, e teve como foco identificar se o uso prolongado de celulares, tablets e videogames influencia no aumento dos sintomas relacionados ao transtorno. Os resultados apontam que quanto maior o tempo de exposição, mais intensos tendem a ser os sinais de desatenção e hiperatividade entre crianças e adolescentes.
Além disso, o estudo revela que indivíduos com diagnóstico prévio de TDAH demonstram maior predisposição ao uso das telas, influenciados tanto por fatores neurológicos associados ao transtorno quanto por aspectos do ambiente familiar, como o fácil acesso a dispositivos eletrônicos.
“A pesquisa contribui para compreender como elementos externos influenciam o desenvolvimento dos sintomas e pode orientar melhor os pais na criação de filhos com TDAH”, afirma o autor.
A metodologia empregada foi uma revisão integrativa de literatura, com análise de 26 artigos científicos publicados entre 2020 e 2024, disponíveis nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Os achados reforçam a necessidade de oferecer orientações mais específicas às famílias, com o objetivo de desenvolver estratégias eficazes de acompanhamento e cuidado com crianças e adolescentes diagnosticados com o transtorno.