Vitória da Conquista recebe, nos dias 17 e 18 de julho, mais uma edição do Lung Sudoeste, encontro científico que reúne especialistas para discutir os avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão. Em entrevista ao Jornal Band News, desta quarta-feira (15), apresentado por Marcelo Bonfá e Rodrigo Ferraz, o cirurgião torácico, professor de Medicina da UFBA e mestre em Biociências, Dr. Rafael Sodré, destacou que o maior desafio ainda é o diagnóstico precoce da doença. Segundo ele, o Brasil ainda não conta com um programa nacional de rastreamento para pessoas de maior risco, como fumantes e ex-fumantes, medida já adotada há mais de 15 anos em países como Estados Unidos e nações da Europa. “O nosso país ainda não tem rastreamento para o câncer de pulmão. Isso já tem há mais de 15 anos nos Estados Unidos e na Europa”, afirmou.
Durante a entrevista, o especialista lembrou que o câncer de pulmão continua sendo um dos que mais mata no mundo. “Se você juntar mama, próstata e intestino, o câncer de pulmão tem mais óbitos no ano do que os três juntos.” Rafael Sodré também ressaltou a importância das políticas de combate ao tabagismo, mas chamou atenção para o aumento do número de fumantes registrado no Brasil no último ano, possivelmente influenciado pelo crescimento do uso de cigarros eletrônicos.
O médico também destacou os avanços da imunoterapia, considerada uma das principais evoluções no tratamento da doença. Segundo ele, o Governo Federal anunciou recentemente um acordo para a produção nacional do medicamento Durvalumab, o que poderá ampliar o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde. “Provavelmente ano que vem isso vai estar sendo feito no SUS a um custo muito menor.” Sobre novas pesquisas, ele citou os estudos com vacinas contra o câncer de pulmão, mas ponderou que ainda estão em fase inicial. “A imunoterapia é como se fosse uma droga que ativa sua célula a combater o câncer”, explicou.