Em entrevista ao Boa Tarde Bahia desta segunda-feira (2), durante as festividades de Iemanjá no Rio Vermelho, em Salvador, o candidato a governador da Bahia, ACM Neto, cogitou alguns nomes para ocupar a vaga de vice em sua chapa, incluindo os nomes da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, e do prefeito de Jequié, Zé Cocá.
Apesar dos nomes levantados, ACM revelou que ainda não definiu a opção para vice na sua chapa, mas afirmou que essa pessoa tem que ser e conhecer o interior da Bahia.
Muitas conversas ainda vão acontecer até o mês de março, quando nós vamos anunciar a nossa chapa. Eu ainda não evoluí na questão da vice. A prioridade primeiro é fechar as duas vagas de Senado, mas eu tenho um perfil na minha cabeça. Qual é o perfil? Que seja alguém do interior ou com grande densidade no interior, que conheça profundamente o interior da Bahia e que, obviamente, possa agregar do ponto de vista eleitoral”.
O jornalista e colunista de política da Band Bahia, Victor Pinto, analisou as falas de ACM Neto na Coluna Esse é o Ponto desta terça-feira (3) e evidenciou quais os recados que Neto passa ao cogitar Zé Ronaldo.
Primeiro, sinaliza ao interior que a chapa não será montada apenas a partir da capital. Segundo, reconhece que em 2022 deixou cicatrizes, especialmente no episódio que envolveu o prefeito de Feira, que foi descartado da vice no apagar das luzes. O convite, ainda que embrulhado de muita cautela, tem gosto de reparação”.
Segundo Victor Pinto, ACM Neto também usa o tempo que tem para definir o senado primeiro até por conta da chegada de Ângelo Coronel.
Neto também joga com o tempo. Diz que a prioridade é fechar o Senado, até porque a conversa com o Ângelo Coronel avançou e pode mudar completamente o desenho da oposição”.
O jornalista também explica que Neto, ao não garantir Zé Ronaldo ou Marcelo Nilo e cogitar outros nomes do interior, como Sheila Lemos, não é por acaso, e sim um método para testar alguns fatores em torno destes nomes.
Ao mesmo tempo, deixa claro que ninguém tem lugar cativo, nem Zé Ronaldo, nem Marcelo Nilo. E isso não é desdém, mas é um método. Ele mantém todos em movimento, testando lealdade, densidade eleitoral e capacidade de agregar na formação da chapa da oposição. Quando Neto lista outros possíveis nomes do interior, o recado, na minha opinião é bastante simples: o vice precisa conhecer a Bahia real, aquela fora da capital do estado. Zé Ronaldo se encaixaria como poucos nesse perfil, mas a decisão final vai depender do encaixo político mais amplo”.
Para Victor Pinto, essas conversas e convites não são apenas promessas e sim abertura de negociações que só vamos ver o desfecho em março, quando a chapa de ACM Neto para governador do estado for lançada.
Por Matheus Guimarães, sob supervisão