A gravidez na adolescência continua sendo um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil. Em Vitória da Conquista, os números mostram queda, mas ainda exigem atenção. Segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), o município registrou 506 nascidos vivos de mães adolescentes em 2023 (11,5% do total). Em 2024, esse número caiu para 448 (9,58%). Apesar da redução, o problema segue atingindo principalmente meninas em situação de vulnerabilidade social, com impactos na saúde, na educação e nas oportunidades futuras.
Para fortalecer a prevenção, a Rede Municipal de Saúde passa a disponibilizar o implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel (Implanon®) pelo SUS. O método, eficaz por até três anos e comparado à laqueadura em segurança contraceptiva, será oferecido inicialmente a adolescentes de 15 a 19 anos com vida sexual ativa. Considerado um LARC (método reversível de longa duração), o implante evita falhas comuns de métodos que dependem do uso contínuo.
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está capacitando médicos da Atenção Primária para realizar o procedimento, em parceria com a empresa Organon. As adolescentes interessadas devem procurar as unidades de saúde, onde passarão por avaliação com médico ou enfermeiro. Serão priorizadas jovens em situação de vulnerabilidade, desde que não haja contraindicações. Após consulta, as adolescentes assinam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. As primeiras inserções estão marcadas para 16 a 18 de dezembro.
O atendimento aos adolescentes é garantido mesmo sem a presença de responsáveis, respeitando privacidade e sigilo, conforme o ECA e normas do Ministério da Saúde. Para o dia da inserção do implante, recomenda-se apenas que a adolescente leve um acompanhante maior de idade de sua escolha. A iniciativa reforça o compromisso do município com a proteção, autonomia e direitos das adolescentes, garantindo acesso à educação em saúde, acompanhamento qualificado e métodos seguros para prevenir a gravidez não planejada.