Vitória da Conquista voltou a se destacar no cenário científico nacional com a publicação de uma pesquisa inédita na Folha de S. Paulo sobre o uso e os impactos dos canabinoides sintéticos, substâncias conhecidas popularmente como “maconha sintética”, “K9” ou “Spice”. O estudo é assinado pelos estudantes Shayna Aguiar Santana, Artur Almeida Lima, Felipe Silva Leal Barbosa e Fernanda Mata Bitencourt da Silva, do curso de Medicina da Faculdade Santo Agostinho, FASA Vic | Afya, sob orientação do professor Matheus Santos Marques.
A pesquisa teve como base dados públicos da cidade de São Paulo, onde os casos de intoxicação por essas substâncias aumentaram mil vezes em apenas quatro anos. Apesar de o foco do estudo ser o cenário paulista, o trabalho reflete uma preocupação nacional, principalmente pelo crescimento acelerado do uso dessas drogas sintéticas e os efeitos devastadores sobre os usuários.
Segundo a estudante Shayna Aguiar, o interesse pelo tema surgiu após o impacto de imagens veiculadas nas redes sociais e em reportagens que mostravam os efeitos da chamada “droga zumbi”, que leva os usuários a um estado de transe profundo. “As imagens chocantes despertaram curiosidade e preocupação: como uma substância era capaz de provocar efeitos tão intensos? Com essas perguntas, iniciamos uma pesquisa voltada à compreensão da ação dos canabinoides sintéticos”, explica.
O estudo revelou que o perfil mais frequente entre os usuários é formado por homens, jovens e pardos, o que levanta reflexões importantes sobre vulnerabilidade social e racial. Além disso, os pesquisadores destacam a escassez de dados aprofundados sobre o tema no Brasil, o que reforça a necessidade de mais investimentos em pesquisas na área.
Professor orientador do projeto, Matheus Santos Marques, farmacêutico bioquímico e especialista em saúde pública, destaca que a pesquisa tem relevância nacional por preencher lacunas no conhecimento sobre essas substâncias. “Confirmamos, em nível municipal, a tendência global de crescimento no consumo de canabinoides sintéticos. Isso nos permite compreender melhor a expansão dessas drogas no Brasil e planejar estratégias de prevenção, proteção e educação voltadas à saúde pública”, aponta.
Para Artur Almeida Lima, a publicação do artigo na Folha de S. Paulo é um reconhecimento significativo. “É um marco importante para nós, pesquisadores. Ver esse trabalho ganhando repercussão reforça o valor da ciência e da produção de conhecimento, principalmente em áreas de interesse social urgente como essa”, conclui o estudante.