A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, tem implementado ações voltadas ao cuidado com animais domésticos e em situação de rua. Entre as medidas adotadas estão o controle populacional por meio da castração, a microchipagem e o atendimento clínico gratuito. As iniciativas são coordenadas pela secretária Ana Cláudia Passos.
Recentemente, o município aderiu ao programa Sinpatinhas, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa tem como objetivo construir um banco de dados nacional sobre cães e gatos, com a finalidade de embasar decisões políticas e orientar o repasse de recursos públicos. “O cadastro é fundamental. Ele funciona como o Cartão SUS dos animais. Só assim saberemos, com precisão, a realidade de cada região”, explica Ana Cláudia.
Qualquer cidadão pode cadastrar seu pet gratuitamente pelo sistema GOV.br, preenchendo informações como nome, espécie, raça e estado de vacinação. Em Vitória da Conquista, a clínica pública CASA, localizada na Avenida Brumado, oferece suporte nesse processo e emite, sem custo, o RG Animal, documento de identidade com QR Code que facilita a localização em caso de perda.
Desde sua inauguração em 2023, a clínica já atendeu mais de 10 mil animais, entre cães e gatos com tutores de baixa renda e também animais comunitários, que são cuidados coletivamente por moradores de determinados bairros. Com o apoio de protetores independentes, organizações não governamentais como a AMA e diversos voluntários, o município já realizou cerca de 3.500 castrações, contribuindo para evitar o nascimento descontrolado de filhotes que muitas vezes acabam abandonados.
A secretária ressalta a importância desse trabalho para a contenção do abandono: “A castração é chave no combate ao abandono. Uma gata pode gerar mais de 30 filhotes em um ano. Um animal castrado representa dezenas fora das ruas.” O castramóvel, unidade móvel de atendimento veterinário, também tem papel essencial nessa frente e já serve de referência para municípios vizinhos.

Além disso, o município mantém um olhar específico para os animais em situação de rua. A Clínica Pública CASA atende não apenas pets com tutores, mas também animais sem dono, levados por protetores, ONGs e cidadãos voluntários. “Realizamos consultas, castrações, cirurgias e até quimioterapia quando necessário”, afirma Ana Cláudia. O castramóvel circula por diferentes bairros da cidade, ampliando o acesso ao serviço e fortalecendo o controle populacional.
O programa Sinpatinhas também incentiva a microchipagem, o que facilita a identificação de animais perdidos e a responsabilização de tutores em casos de abandono. “O abandono não é apenas uma questão de saúde pública, é também uma questão de educação e empatia”, reforça a secretária.
A expectativa é que, com a consolidação do Sinpatinhas, os dados cadastrados sirvam de base para o envio de recursos federais destinados à saúde animal. A proposta é clara: desenvolver políticas públicas fundamentadas em dados reais, com impactos diretos no bem-estar dos animais e na convivência urbana.