A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), avaliou em entrevista ao Boa Tarde Bahia, os fatores que, segundo ela, contribuíram para a derrota do ex-prefeito de Salvador ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia em 2022. Segundo Sheila, a principal dificuldade enfrentada pela candidatura foi a forte polarização nacional entre os então presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro.
Ela aponta que o União Brasil teve, na eleição nacional, uma candidatura à presidência que não gerou mobilização suficiente, o que teria deixado ACM Neto numa posição estratégica delicada. “Como se posicionar entre Lula e Bolsonaro se o partido tinha uma candidata que não empolgou?”, questiona. “Qualquer lado que ele escolhesse poderia implicar na perda de votos do outro campo.”
A prefeita também acredita que a falta de uma diretriz nacional mais clara prejudicou o desempenho local. “O eleitor da ponta nem sempre entende os acordos e limitações partidárias. E essa dificuldade de posicionamento foi mal interpretada”, afirmou.
Para 2026, Sheila defende que o campo da direita e centro-direita se una em torno de uma candidatura competitiva e coesa. “Seja com nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Ratinho Júnior, o importante é que não haja divisão, pois isso enfraquece o projeto em todos os estados, inclusive na Bahia”, afirmou.
Além do debate eleitoral, Sheila Lemos abordou o desenvolvimento regional do sudoeste baiano. A prefeita vê a expansão urbana como um desafio que exige planejamento e integração entre municípios vizinhos. “Vitória da Conquista não quer crescer criando grandes periferias ou favelas. Queremos que as pessoas permaneçam em seus locais com qualidade de vida. Quando Conquista se desenvolve, cidades como Barra do Choça, Planalto, Belo Campo e Cândido Sales também crescem”, destacou.
Nesse sentido, ela defende a proposta do deputado estadual Vitor Azevedo que prevê a criação da Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia, com sede em Vitória da Conquista. “Estamos a 500 quilômetros da capital e enfrentamos dificuldades de deslocamento. Ter uma região metropolitana estruturada pode trazer mais investimentos e serviços públicos para toda a região”, concluiu.