A proibição das plataformas de apostas on-line no Brasil, anunciada na última sexta-feira (25), foi recebida com alívio por Kaio*, de 42 anos, que perdeu o carro, a casa e o emprego por causa das dívidas de jogo. Atualmente, ele vive sozinho em um dormitório no interior de Goiás e busca reconstruir a vida após seis anos de dependência.
Em tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), participa de grupos terapêuticos e faz acompanhamento médico.
Segundo dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets no ano passado. Especialistas alertam que pessoas em situação de vulnerabilidade são mais suscetíveis ao vício, agravado pela publicidade que associa as apostas a uma possibilidade de renda extra. A dependência também atinge adolescentes: uma pesquisa apontou que 20,4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio já haviam apostado on-line, com relatos de início aos 11 anos.
Profissionais de saúde alertam que a compulsão por apostas pode provocar endividamento, isolamento social, ansiedade e pensamentos suicidas. Diante do aumento dos casos, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o atendimento remoto a pessoas com problemas relacionados aos jogos. Após o anúncio da proibição, o Ministério da Saúde também informou que intensificará a busca ativa por apostadores, com oferta de acompanhamento e tratamento, em uma iniciativa que envolve outros órgãos do governo federal.
*Nomes fictícios a pedido dos entrevistados