O Tribunal do Júri condenou, nesta terça-feira (13), Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuin”, a 28 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e acolheu a denúncia do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), sustentada pelo promotor de Justiça Raimundo Moinhos. Josevan é o terceiro condenado pelo crime.
Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Josevan e Arielson da Conceição Santos executaram o assassinato em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. De acordo com a acusação, os dois teriam agido a mando de lideranças de uma organização criminosa, e o crime teria sido motivado pela atuação de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade.
Conforme a denúncia, Josevan entrou armado na residência, ordenou que os netos da vítima fossem para um quarto e recolheu os celulares das pessoas presentes. Após Mãe Bernadete se recusar a sentar, ele teria feito o primeiro disparo. A líder quilombola foi atingida por 25 tiros. As investigações reuniram depoimentos, dados de geolocalização dos celulares roubados e outros elementos que, segundo o MPBA, relacionaram o réu à execução. Arielson também confessou participação no crime. O caso foi investigado no âmbito da Operação Pacific, que apurou o envolvimento dos executores e de outras pessoas no planejamento do assassinato.