A queda no número de passageiros em voos em Vitória da Conquista voltou a ganhar destaque no debate político e econômico da região. Durante entrevista, o deputado federal Léo Prates (Republicanos), destacou que o problema vai além de decisões isoladas das companhias aéreas e passa por um modelo de concessão que, segundo ele, “está equivocado desde a origem”. “Nós precisamos ter claro o funcionamento de uma companhia aérea. Ela tem uma concessão pública, entra nas linhas por vontade própria, mas o modelo atual não exige contrapartidas equilibradas”, afirmou.
O parlamentar criticou a lógica de priorização do lucro em detrimento da oferta regional e sugeriu mudanças estruturais. “Na minha visão, as empresas não estão preocupadas se a linha é lucrativa, estão preocupadas em ter mais lucro”, disse. Ele defendeu que rotas rentáveis, como grandes capitais, sejam vinculadas a trechos menores, garantindo equilíbrio: “Você licencia uma linha lucrativa, mas obriga a operar rotas como Conquista-Salvador diariamente”. Prates também mencionou a possibilidade de abertura do mercado: “As linhas que as companhias nacionais não quiserem, abre para empresas internacionais explorarem”.
Já o pré-candidato Wagner Alves (União Brasil), representando o sentimento local, classificou a situação como um desrespeito à população. “Para nós, conquistenses, é uma verdadeira humilhação essa redução”, afirmou. Ele lembrou que a cidade já teve voos diários e hoje enfrenta cortes sucessivos: “Passamos de jatos para aeronaves menores, e agora para aviões de nove lugares. Só falta anunciar o fim”. Wagner cobrou ação do poder público: “Concessão pública existe para servir o povo. Quando há prejuízo ao usuário, o Estado não pode se omitir, ele deve intervir”.