Um dos pontos altos da montagem “Peça para Salvar o Mundo” é a participação ativa do público. De acordo com a atriz Mariana Leme, seis pessoas são convidadas a interagir ao microfone. Mariana conta como essa dinâmica cria uma proximidade intensa:
“Eu escuto num ponto, no meu ouvido. E é muito doido isso, porque eu tenho a sensação como se a pessoa estivesse bem próxima de mim. Até mais próxima do que num espetáculo tradicional”
Em determinado momento da peça, o avatar pergunta sobre a infância dos participantes. Um relato marcou profundamente a equipe:
“Um dia, uma pessoa chegou na plateia e contou que foi abusada a infância inteira.”
Apesar de o roteiro não ter sido alterado, a percepção do público mudou completamente. Mariana explicou o desafio de conduzir a situação:
“Eu não posso simplesmente cortar uma narrativa dessa, eu tenho que deixar a pessoa falar minimamente um pouco da sua história mas eu também não posso que o espetáculo caia numa sessão de terapia”
Ela completou:
“Eu sou, enquanto máquina. Afinal, eu estou nessa personalidade então eu também tive que cortar ali de um jeitinho que fosse cuidadoso com a história da pessoa”
Além da inovação estética, o espetáculo também provoca reflexões sociais e políticas. Rodolfo destacou a trajetória da companhia, fundada em 1989, e seu papel na revitalização da Praça Roosevelt, em São Paulo, além da criação da SP Escola de Teatro em parceria com o governo estadual.
Ao final, ficou o convite para o público conquistense:
“Venham assistir Peça para Salvar o Mundo essa sexta e sábado o espetáculo ele é teatral mas ele também tem tecnologia tem diálogo, escuta é engraçado, performativo é diversão e também informação vem com a gente.”
Com apenas 301 lugares no Centro de Cultura, a expectativa é de casa cheia para um espetáculo que une arte, tecnologia e reflexão sobre o nosso tempo.