Um pedido atípico feito durante uma ligação ao 190 permitiu que uma mulher em situação de violência doméstica acionasse a Polícia Militar da Bahia, em Vitória da Conquista. Fingindo solicitar uma pizza, a vítima conseguiu sinalizar que precisava de ajuda, apesar da presença do agressor no local.
O caso foi atendido pelo Centro Integrado de Comunicação (CICOM) da 78ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). De acordo com a corporação, os atendentes identificaram inconsistências no conteúdo da ligação e suspeitaram que se tratava de um pedido de socorro disfarçado, acionando imediatamente uma guarnição para averiguar a situação.
Uma guarnição da 78ª Companhia Independente da Polícia Militar foi enviada ao endereço informado na ligação. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a mulher do lado de fora da residência. Ela relatou que estava sendo ameaçada de morte pelo ex-companheiro, de quem está em processo de separação. Segundo a vítima, o homem teria invadido o imóvel no dia do ocorrido ao pular o muro, descumprindo medidas protetivas vigentes.
O suspeito foi detido e conduzido à delegacia, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis. A Polícia Militar destacou que a pronta resposta da equipe foi fundamental para garantir a segurança da vítima e evitar consequências mais graves.
Casos semelhantes têm sido registrados em diferentes regiões do país, onde vítimas de violência doméstica adotam estratégias discretas para solicitar ajuda sem alertar os agressores. Uma das práticas mais comuns tem sido simular pedidos de comida durante as chamadas de emergência, tática que vem sendo interpretada como possível sinal de alerta por centrais de atendimento.
De acordo com a Polícia Militar da Bahia, os atendentes do 190 recebem capacitação contínua para identificar esse tipo de comunicação indireta. O uso de códigos silenciosos, como o “pedido de pizza”, tem ganhado reconhecimento como uma ferramenta de socorro em contextos de risco e controle por parte dos agressores.
A corporação reforça que a violência contra a mulher é crime e que qualquer sinal de ameaça deve ser considerado com seriedade. Os canais 190 e 180 permanecem ativos para denúncias, inclusive em situações em que não é seguro falar abertamente.