O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, localizado no norte de Minas Gerais, acaba de ser reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O anúncio foi feito neste domingo (13), durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Paris.
Criado em 1999, o parque ocupa uma área de 56.448 hectares que abrange os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões. A unidade de conservação abriga um dos mais importantes conjuntos de cavernas do país, com mais de 200 formações catalogadas, além de sítios arqueológicos com vestígios humanos de até 12 mil anos, pinturas rupestres e uma biodiversidade que integra elementos da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga.
“O título consagra o Peruaçu como um sítio de valor universal excepcional, pela sua combinação singular de relevância geológica, arqueológica, ecológica e paisagística”, celebrou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela gestão da unidade. O órgão destacou o trabalho conjunto entre as comunidades locais, equipe técnica, poder público e sociedade civil como fundamental para a conquista.
O reconhecimento da Unesco é o primeiro do tipo em Minas Gerais e eleva para nove o número de sítios brasileiros considerados Patrimônio Mundial Natural. A lista inclui locais emblemáticos como o Parque Nacional do Iguaçu, Fernando de Noronha, as Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento e os Lençóis Maranhenses.
Segundo o ICMBio, a inclusão do Peruaçu na lista mundial representa não apenas uma valorização de seu patrimônio natural e cultural, mas também uma oportunidade de impulsionar o turismo sustentável, a pesquisa científica e a inclusão social na região. “O reconhecimento também abre novas oportunidades para o ecoturismo e o fortalecimento da economia local por meio do turismo de base comunitária”, pontuou o instituto em nota.
A diretora-presidente do Instituto Ekos Brasil, Ana Cristina Moeri, celebrou o resultado como fruto de décadas de dedicação. “É o resultado de mais de duas décadas de trabalho conjunto entre poder público e iniciativa privada para a preservação deste território único”, afirmou. A organização atua no parque desde 2003, em parceria com o ICMBio, promovendo ações de recuperação ambiental, educação e desenvolvimento socioeconômico.
Entre os projetos realizados estão o Florescer no Cerrado, que capacita mulheres em gestão de negócios sustentáveis, e o Floresta Viva, voltado à restauração de nascentes e áreas degradadas. As ações beneficiam diretamente as comunidades do entorno, incluindo os povos indígenas Xakriabá, que historicamente protegem a área com seus saberes tradicionais.
O reconhecimento internacional acontece no mesmo ano em que o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) completa 25 anos e o Brasil se prepara para sediar a COP30, reforçando a importância das áreas protegidas na agenda climática global.
“O aniversário do SNUC e a consagração do Peruaçu nos convidam a refletir sobre a importância das áreas protegidas. Parcerias entre governo, setor privado e terceiro setor são essenciais para garantir a efetividade dessas unidades”, concluiu Ana Moeri.