A Nestlé está desenvolvendo uma estratégia para transformar o crescimento dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, em uma nova oportunidade de negócio. A empresa utiliza inteligência artificial e pesquisas científicas para desenvolver alimentos e bebidas destinados a consumidores que fazem uso desses medicamentos, que já são utilizados por milhões de pessoas. A preocupação dos fabricantes de alimentos surgiu diante da possibilidade de que os remédios, ao reduzirem o apetite, provoquem uma queda permanente no consumo de alimentos industrializados, lanches e bebidas.
A estratégia da Nestlé é desenvolver produtos que ajudem a lidar com alguns efeitos associados à perda rápida de peso, como a redução da massa muscular e alterações na pele. Para isso, a empresa utiliza ferramentas de inteligência artificial capazes de analisar pesquisas clínicas, identificar combinações de nutrientes e auxiliar na criação e reformulação de produtos. Entre os lançamentos estão o Boost Advanced Nutrition Shake, nos Estados Unidos, com 35 gramas de proteína, e uma versão com maior teor proteico da bebida Milo, comercializada na Ásia e na Austrália. A companhia também passou a adicionar proteína de colágeno a produtos da marca Vital Proteins, voltados a consumidores preocupados com a saúde da pele, dos cabelos e das unhas durante o processo de emagrecimento.
A inteligência artificial também é utilizada para analisar tendências de consumo, testar receitas e simular a reação dos consumidores antes do lançamento de novos produtos. A Nestlé mantém um banco de dados com aproximadamente 120 mil receitas e utiliza uma plataforma interna chamada Food Genie para auxiliar cientistas e desenvolvedores. Apesar dos investimentos, especialistas em nutrição questionam se produtos específicos para usuários de medicamentos contra obesidade oferecem benefícios superiores aos alimentos convencionais. Para pesquisadores, carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, nozes e outras leguminosas continuam sendo fontes acessíveis de proteínas e nutrientes, enquanto os novos produtos podem ter custo mais elevado.