Morreu na madrugada desta sexta-feira (26), em Salvador, Mãe Carmem, ialorixá do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido como Terreiro do Gantois. Ela estava internada há cerca de duas semanas no Hospital Português, em decorrência de complicações causadas por uma gripe. Nascida em 1926, Mãe Carmem completaria 99 anos na próxima segunda-feira (29).
Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das mais importantes lideranças religiosas do Brasil, Mãe Carmem foi iniciada no candomblé aos 7 anos de idade e assumiu a liderança do terreiro em 2002, tornando-se a quinta ialorixá da casa fundada em 1849. Além da atuação religiosa, era reconhecida pelo trabalho de preservação da cultura afro-brasileira e da ancestralidade negra.
Ao longo de mais de 20 anos à frente do Gantois, Mãe Carmem desenvolveu ações socioeducativas junto à comunidade, além de iniciativas culturais voltadas à valorização da memória das religiões de matriz africana, com cursos de dança, ritmos, toques e bordados tradicionais. Em 2011, foi homenageada com a música “A Força do Gantois”, composta pelo sambista Nelson Rufino.
A ialorixá recebeu diversas homenagens ao longo da vida, entre elas a Medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural, concedida pela Unesco em 2010, e a Comenda Maria Quitéria, entregue em maio de 2023, em reconhecimento à sua contribuição religiosa, cultural e social para a Bahia.