Pernambucano de Caruaru e radicado há mais de 20 anos na Bahia, o artista celebrou sua primeira apresentação solo na festa junina de Vitória da Conquista, um dos principais eventos do São João no interior do estado.
“Estou muito feliz em chegar aqui e abrir o Arraia da Conquista, pela primeira vez com o meu trabalho solo”, afirmou o sanfoneiro. Marquinhos lembrou sua trajetória musical ao lado de grandes nomes do forró. “Já toquei muito aqui em Conquista e Região quando eu acompanhava o meu amigo Adelmário Coelho… passei 13 anos com ele fazendo direção musical e tocando sanfona”.
Foi a partir de um conselho do mestre Dominguinhos que ele resolveu alçar voo solo. “Ele chegou pra mim lá em Exu, Marcelo, e disse: ‘Rapaz, vai cantar, sanfoneiro tem que cantar. Se você gravar um CD, eu participo do seu CD’. Isso foi em 2011. E ele participou, e no meu primeiro CD… tive a participação de Dominguinhos, Flávio José e do Adelmário Coelho”.
Com mais de 30 anos de estrada, Marquinhos não esconde o orgulho da trajetória. “Desde 14 anos, fazendo agora 31 anos de sanfona. A sanfona no peito, pra cima e pra baixo aí”, contou com entusiasmo.
A conversa também passou por temas mais profundos, como o preconceito que enfrentou no início da carreira. “Eu lembro que quando eu comecei eu passei muito bullying na escola… as pessoas não entendiam o instrumento. Lá vai o Luiz Gonzaga, lá vai o matuto, lá vai o… Fazia esse link, né?”. Apesar disso, o artista resistiu e, hoje, celebra a valorização da sanfona em múltiplos gêneros: “Hoje essas mesmas pessoas… querem me ver, querem estar comigo, querem estar ouvindo o som da sanfona… e eu gravo muito lá a Cláudia Leitte, Bell Marques, Durval, Luiz Caldas”.
Mas nem tudo são flores. Ele comentou sobre a preocupação com o futuro do instrumento: “Saiu uma matéria aí que as crianças hoje não estão tendo interesse pelas sanfonas… é um alerta pra todos nós”.
Marquinhos também compartilhou a experiência de levar o forró para o exterior. “Tive na Itália, na França, em Paris, em Milão, na África, em Luanda, e também em Londres… e lá, valorização muito, às vezes, acredite, mais que aqui”.
Durante a entrevista, não faltou emoção e música ao vivo. Marquinhos apresentou trechos de composições autorais como “Pede que eu dou”, “Incendeia” e “A pouca roupa pelo chão”, esta última dedicada à companheira Gabriela: “Gabriela, hoje é minha maior parceira, minha maior referência e tá junto comigo em tudo, tanto no palco como em casa… A gente convive vinte e quatro horas”.
Ao falar da canção “Bandeira Nordestina”, lançada este ano, Marquinhos revelou a origem familiar da música: “Meu irmão é compositor também, sanfoneiro… eu fui falar pro meu irmão e queria fazer a música… com meia hora ele me entregou a música pronta”. A faixa, que já chegou ao repertório de nomes como Mastruz com Leite, retrata com orgulho a identidade nordestina: “Há muito tempo que eu tô nessa peleja / Vou levando a bandeira do meu povo nordestino… Agradeço a Deus ser vaqueiro, sanfoneiro / E sair tocando por esse Brasil inteiro”.
Ao final, o artista deixou o convite para o show de abertura da festa: “Atenção, Conquista, atenção, região… abertura do Arraiá da Conquista às dezoito e trinta com ele que tá aqui com a gente, Marquinhos Café”.
Brincando com a cultura local, Marquinhos encerrou com bom humor: “E saibam que aqui é a capital estadual do biscoito… se for levar a lembrancinha, leve biscoito de Vitória da Conquista… e vou dizer mais: ostentação pra quem mora em Vitória da Conquista é ter um chuveiro quente cheiroso”.