Durante o mês de maio, a campanha Maio Roxo chama atenção para as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), um grupo de enfermidades crônicas que afetam o trato gastrointestinal e impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes. As mais conhecidas são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, que embora compartilhem sintomas semelhantes, apresentam diferenças importantes no diagnóstico e tratamento.
A Doença de Crohn pode acometer qualquer parte do sistema digestivo, desde a boca até o ânus, sendo mais comum no íleo (parte final do intestino delgado) e no cólon. Uma característica marcante é a inflamação “em salteado”, com áreas doentes intercaladas por regiões saudáveis, além de afetar todas as camadas da parede intestinal — condição que pode levar à formação de fístulas e estreitamentos. Os sintomas variam conforme a gravidade, mas incluem dor abdominal, diarreia (com ou sem sangue), febre e perda de peso. Casos mais graves, como fístulas perianais, podem demandar cirurgias.
Já a Retocolite Ulcerativa atinge exclusivamente o intestino grosso (cólon) e o reto. A inflamação ocorre de forma contínua e superficial, afetando geralmente apenas a mucosa intestinal. Os sintomas mais comuns são diarreia com sangue, dor abdominal e tenesmo (sensação constante de necessidade de evacuar). A fragilidade da mucosa causa sangramentos frequentes, o que pode ser observado em exames como colonoscopia.
O diagnóstico das DIIs exige a combinação de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos e radiológicos, já que não há um teste único capaz de confirmar a presença da doença. A Doença de Crohn apresenta sinais típicos, como úlceras profundas e aspecto de “pedras de calçamento”, enquanto a Retocolite exibe mucosa friável com sangramentos constantes.
Além do trato gastrointestinal, ambas as doenças podem provocar manifestações extraintestinais, atingindo articulações, pele, olhos e fígado. Artrite, eritema nodoso e colangite esclerosante primária são algumas das condições associadas.
O tratamento envolve medicamentos como imunossupressores, corticoides e biológicos, além de possíveis intervenções cirúrgicas nos casos mais severos. O acompanhamento com gastroenterologista é essencial para controlar a doença, reduzir crises e prevenir complicações. O uso de anti-inflamatórios comuns é desaconselhado, pois pode agravar o quadro.
A campanha Maio Roxo, realizada no Brasil e em Portugal, tem como objetivo informar a população, combater o preconceito e incentivar o diagnóstico precoce, fundamentais para o controle das DIIs. O roxo simboliza a luta e solidariedade com quem convive com essas condições crônicas.
As Doenças Inflamatórias Intestinais afetam majoritariamente jovens em idade produtiva, podendo gerar impactos significativos na vida pessoal e profissional. Informação, suporte e acesso ao tratamento adequado são pilares para uma melhor convivência com a doença.