Em entrevista nesta quarta-feira (6) ao jornalista Victor Pinto, da Band Bahia, a presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), desembargadora Cynthia Maria Pina Resende, fez um balanço dos quase dois anos à frente do Judiciário baiano, período em que o Tribunal alcançou marcas históricas em produtividade, inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e inclusão social.
Com dados sólidos, a presidente destacou que, durante sua gestão, foram baixados mais de 3 milhões de processos, superando os 2,5 milhões que deram entrada no mesmo período. “Isso já mostra o quanto a produtividade aumentou e impacta diretamente a vida do cidadão”, afirmou.
O TJBA também se consolidou como referência nacional em sustentabilidade. Prédios com energia solar, substituição de lâmpadas por LED, coleta de recicláveis e cinco hortas comunitárias que doaram mais de uma tonelada de alimentos para creches renderam ao tribunal o 1º lugar no Índice de Desempenho da Sustentabilidade, entre os tribunais brasileiros. A presidente citou ainda o alinhamento com o projeto Carbono Zero, do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça.
Outro destaque foi a realização do Mutirão Pop Rua Jud, que atendeu mais de 7.200 pessoas em situação de rua em apenas dois dias, em parceria com o governo estadual e a prefeitura. A ação virou referência nacional.
Na seara tecnológica, o TJBA avança com o uso de inteligência artificial e a adoção do Eproc, sistema que substitui o criticado PJe. “É um sistema mais funcional, mais moderno, e vem sendo adotado pelos grandes tribunais do país”, explicou. O projeto Conecta Justiça, que permite o acesso digital aos serviços do Judiciário por QR Code, é outra iniciativa voltada à acessibilidade jurídica e cidadania digital.
A entrevista também abordou a relação do Tribunal com os demais poderes. Segundo a presidente, há um ambiente de harmonia institucional com o Executivo e o Legislativo, “essencial para o funcionamento da democracia”. Ela celebrou a eleição da deputada Ivana Bastos à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, destacando o avanço da presença feminina no poder. “Somos duas mulheres à frente de dois poderes do Estado. O olhar feminino é mais sensível, mais humanista, e transforma a forma de liderar”, disse.
Ao final, a desembargadora reforçou o papel do Judiciário como guardião da democracia: “É o Judiciário que garante o cumprimento das leis, a liberdade, o direito de escolha. Sem ele, não há Estado democrático possível”.
E em tom descontraído, revelou uma curiosidade: quase foi jornalista. “Fiz dois anos de jornalismo na Universidade Federal, mas o Direito falou mais alto. Mesmo assim, trago um respeito profundo pela imprensa. No fim, Justiça e Jornalismo caminham lado a lado, pela verdade e pelo cidadão.”


