A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta quinta-feira (15), o afastamento imediato de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A decisão foi proferida pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro, que declarou nulo o acordo anteriormente homologado pela Corte Superior e que havia validado a eleição de Rodrigues ao comando da entidade máxima do futebol nacional.
Segundo o magistrado, o motivo para a anulação do acordo é a “incapacidade mental e possível falsificação da assinatura” de um dos signatários do documento, o ex-presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes de Lima, conhecido como Coronel Nunes.
A decisão determina também o afastamento de toda a atual diretoria da CBF. O vice-presidente Fernando José Sarney foi designado como interventor, ficando responsável por convocar e organizar uma nova eleição, de acordo com os prazos e normas do estatuto da entidade. Até a posse da nova diretoria, Sarney assume os poderes administrativos da confederação.
O processo que resultou na decisão judicial tem raízes em um acordo firmado em 2022, no qual a CBF se comprometeu a realizar uma nova eleição após firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. Essa eleição resultou na vitória de Ednaldo Rodrigues, que havia assumido interinamente após o afastamento de Rogério Caboclo.
Em fevereiro deste ano, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia homologado esse acordo, encerrando momentaneamente a disputa judicial. No entanto, a nova decisão do TJ-RJ volta a colocar em xeque a legitimidade da eleição de Ednaldo, acolhendo pedido de ex-vice-presidentes da CBF que haviam perdido seus cargos com o TAC de 2022.
A decisão ainda pode ser contestada em instâncias superiores, mas marca mais um capítulo turbulento na recente história política da CBF, que desde 2017 vive uma série de disputas judiciais e institucionais por conta de eleições controversas e denúncias internas. A confederação ainda não se pronunciou oficialmente sobre o afastamento.