Natural de Vitória da Conquista, Luiz Antônio Vilalva, de 22 anos, desenvolve pesquisas sobre a obra de Elomar Figueira Mello, compositor reconhecido por retratar o cotidiano, a linguagem e o imaginário sertanejo, e se prepara para iniciar, em 2026, o mestrado em Música, Linguagem e Sonologia, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Em entrevista ao Jornal Band News desta terça-feira (30), o músico falou sobre o início da relação com a música e como o interesse, inicialmente infantil, se transformou em projeto de vida. Segundo ele, o envolvimento mais profundo veio anos depois.
Foi ali depois dos doze, treze anos de idade que eu conheci Beatles, e aí mudou minha vida, que foi quando eu comecei a gostar mesmo de música”, afirmou.
A influência da banda britânica, de acordo com Luiz, foi determinante para que ele descobrisse a relação entre a música popular e a música de concerto, caminho que o levou à formação acadêmica.
A partir de 1966 e 67, eles começam a dialogar muito com a música de concerto, com a música erudita, com os processos experimentais, com a questão de trazer a orquestra pra dentro do estúdio de gravação de música popular”, explicou.
Durante a graduação, o músico passou a pesquisar a obra de Elomar, compositor também natural de Vitória da Conquista, o que despertou um interesse ainda maior pela relação entre música e identidade regional.
Da mesma forma que eu ouvia Paul McCartney falando de Penny Lane, dos lugares que ele andava, eu escutei Elomar e ouvi falar da Praça da Bandeira, dos lugares que eu frequentava”, relatou.
Ao falar sobre o impacto do estudo acadêmico da obra de Elomar, Luiz destacou o caráter documental das canções, sobretudo no registro da linguagem e do modo de vida do sertão.
Porque Elomar registra graficamente a forma que as pessoas da zona rural de Vitória da Conquista falam, e se isso não tivesse registrado na obra de Elomar, onde que a gente encontraria isso?”, questionou.
Ao estudar a obra de Elomar sob a perspectiva da sonologia, o músico busca contribuir para a preservação e a compreensão do patrimônio musical do sertão baiano, ampliando o debate sobre identidade, memória e linguagem na música nacional.