O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia, realizado pela Band Bahia no último domingo (9), serviu também para medir o amadurecimento político de Jerônimo Rodrigues (PT) em relação à eleição de 2022. Na avaliação do desempenho, o governador apresentou uma postura mais firme, com maior domínio do discurso e mais segurança diante das provocações de ACM Neto (União Brasil). O confronto entre os dois concentrou boa parte da atenção do debate, principalmente em temas como saúde, segurança, infraestrutura e a relação com o governo federal.
Um dos aspectos que chamou atenção foi a estratégia adotada por Jerônimo nos confrontos diretos. Em pelo menos dois momentos, o governador evitou transformar a discussão em um embate direto com ACM Neto e preferiu construir uma espécie de dobradinha com Ronaldo Mansur (Psol). A estratégia reduziu a pressão sobre Jerônimo, mas também fez com que o governador deixasse de ocupar alguns espaços que poderiam ter sido utilizados para apresentar propostas e defender de maneira mais detalhada os resultados de sua gestão. O discurso de Jerônimo esteve muito ligado à defesa do governo e às críticas às administrações anteriores, enquanto Neto manteve uma postura mais ofensiva e apoiada em sua conhecida capacidade de comunicação.
O desempenho também mostrou que Jerônimo chega ao debate de 2026 mais preparado para um confronto eleitoral do que em 2022. A experiência acumulada à frente do governo parece ter contribuído para uma postura menos hesitante e para respostas mais diretas. Ao mesmo tempo, a avaliação do debate indica que ainda existe espaço para o governador transformar essa segurança em uma apresentação mais consistente de propostas para um eventual segundo mandato. Em um debate marcado por ataques e cobranças, a ausência de uma agenda propositiva mais detalhada pode ser considerada um dos pontos que limitaram o desempenho do petista.
Do outro lado, ACM Neto demonstrou a desenvoltura discursiva que já é conhecida no cenário político baiano e procurou transformar temas complexos em exemplos de fácil compreensão para o eleitor, como fez ao abordar a fila da regulação da saúde. A estratégia de personalizar problemas de serviços públicos ajudou a aproximar a crítica do cotidiano da população. No entanto, Neto também deixou passar algumas oportunidades de aprofundar ataques e explorar questões levantadas pelos adversários.
Ronaldo Mansur teve uma atuação diferente da registrada por candidatos do PSOL em debates anteriores. O candidato fez críticas aos dois adversários, mas sua atuação foi mais direcionada a ACM Neto. Em alguns momentos, suas intervenções acabaram funcionando como uma espécie de anteparo para Jerônimo no confronto com o candidato do União Brasil. Mansur, porém, também apresentou questões próprias que poderiam ter sido mais exploradas, como a proteção da Serra da Chapadinha e as discussões ambientais.
Outro aspecto que chamou atenção foi a ausência de temas relacionados a denúncias de corrupção envolvendo grupos políticos ligados aos principais candidatos. O assunto poderia ter sido explorado principalmente por Mansur, que não está diretamente associado aos dois grupos que protagonizam a disputa. Ainda assim, o debate acabou concentrado em temas mais tradicionais da disputa eleitoral, como saúde, segurança, educação, obras e alianças políticas.
No balanço geral, o debate mostrou candidatos com estratégias diferentes e momentos de maior e menor exposição. Jerônimo apresentou uma postura mais firme em comparação com sua participação em 2022, especialmente nos confrontos com ACM Neto, mas também teve momentos em que priorizou a defesa da gestão em vez da apresentação de novas propostas. Para os próximos debates, o desempenho poderá ser medido não apenas pela capacidade de responder aos adversários, mas também pela clareza das propostas e pela forma como cada candidato pretende enfrentar os principais desafios da Bahia.