Durante o mês de maio, o Brasil promove a campanha Maio Laranja, voltada à conscientização e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A mobilização busca chamar a atenção da sociedade para a importância da prevenção, da escuta qualificada e da denúncia de casos de violência.
O ponto central da campanha é o 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data remete a um caso emblemático ocorrido em 1973, que revelou a gravidade da violência sexual infantil e a impunidade que ainda acompanha muitos desses crimes.
Dados recentes expuseram um cenário alarmante: a cada hora, três crianças eramsão abusadas sexualmente no Brasil. Cerca de 51% das vítimas tem entre 1 e 5 anos de idade, revelando a extrema vulnerabilidade desse grupo. Além disso, estimativas apontam que 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente todos os anos no país. No entanto, apenas 7,5% dos casos chegam a ser denunciados às autoridades, o que indica que a realidade pode ser ainda mais grave do que os números oficiais revelam.
Vitória da Conquista se destaca com ações integradas de proteção à infância
Na quinta-feira (15), a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, sob a liderança da prefeita Sheila Lemos, reafirmou seu compromisso com a proteção da infância ao lançar a Campanha Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, como parte das ações do Maio Laranja.
Com o tema “Faça Bonito: proteja nossas crianças e adolescentes”, a campanha envolveu ações intersetoriais com a participação das áreas de assistência social, saúde, educação, sistema de justiça, segurança pública e sociedade civil. As iniciativas foram voltadas à prevenção, escuta qualificada e acolhimento das vítimas, com atuação prioritária nos territórios com maior incidência de violações de direitos.
A abertura da campanha contou com a presença de representantes de diferentes órgãos do Comitê Municipal de Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente (CMRPC), como as secretarias municipais de Desenvolvimento Social (Semdes), de Educação (Smed) e de Saúde (SMS); do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica); dos Conselhos Tutelares; da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal; do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (NDCA/Uesb); de entidades não governamentais como o Lar Santa Rita de Cássia; da Guarda Municipal; além de adolescentes dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e integrantes do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).
Durante a cerimônia de abertura, foi ressaltado o reconhecimento de Vitória da Conquista como referência nacional na defesa dos direitos da infância.
A campanha esteve alinhada ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, em memória da menina Araceli Crespo, de oito anos, vítima de violência sexual e assassinada em 1973. A data representa um marco na luta pela garantia dos direitos e da dignidade de crianças e adolescentes em todo o país.
O município também destacou o trabalho de sua rede de proteção, com ênfase no papel do secretário municipal de Desenvolvimento Social, Michael Farias, que apontou os avanços conquistados nos últimos anos.
Desde 2019, Vitória da Conquista se destacou por adotar medidas estruturantes no enfrentamento à violência sexual. Com o apoio do UNICEF e da Childhood Brasil, iniciou a implementação da Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017), culminando na inauguração, em 2021, do Complexo de Escuta Protegida, o primeiro do Brasil a seguir todos os parâmetros da legislação. A iniciativa projetou o município como referência nacional e internacional, reconhecimento evidenciado, inclusive, pela visita do casal real da Suécia, em 2022.
A cor laranja, símbolo da campanha, representa a esperança, a transformação e a proteção da infância. Em 2025, a mobilização alcançou diferentes regiões do país, promovendo o diálogo, fortalecendo políticas públicas e reafirmando o compromisso coletivo com uma infância livre de qualquer forma de violência.