Em entrevista exclusiva ao Jornal Band News desta sexta-feira (30), o líder do Ministério de Desbravadores da Igreja Adventista no sudoeste baiano, Heberson Licar, falou sobre o projeto humanitário que a comunidade religiosa tem realizado com os refugiados venezuelanos em Vitória da Conquista. Nos últimos meses o fluxo migratório chamou bastante atenção da população, sobretudo devido a presença dos mesmos nos semáforos.
Estima-se que entre 24 e 28 núcleos familiares estejam atualmente abrigados no povoado de Itapirema, distrito de José Gonçalves, enfrentando dificuldades como a falta de emprego, moradia e adaptação cultural. Os imigrantes são de origem indígena, da etnia warao, e hoje já se encontram em diversas cidades do Brasil. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, inspirada por princípios bíblicos de acolhimento ao estrangeiro, tem liderado uma série de ações sociais em parceria com a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Desenvolvimento Social.
Segundo o Pastor Heberson, a comunidade Adventista, especialmente o Ministério dos Desbravadores, tem realizado um trabalho social a fim de acolher e apoiar as famílias venezuelanas. Estão sendo ministradas aulas de português, doação de alimentos e roupas, além do incentivo a agricultura familiar, a criação de uma granja comunitária e outros projetos que têm ajudado os warao a conquistar meios de subsistência.
Segundo o representante da Igreja, uma das principais preocupações recentes tem sido o período de frio intenso na região. “Conseguimos colchões, redes, cobertores, mas essa continua sendo uma necessidade urgente”, afirma Licar. Ele destaca ainda o apoio da Prefeitura, que apesar dos recursos limitados, tem sido uma das que mais apoia a etnia na região. “Enquanto outras cidades têm simplesmente colocado os warao em ônibus e os enviado para cá, nossa cidade tem acolhido com dignidade.”
As ações também têm contribuído para uma mudança perceptível no comportamento e na convivência comunitária. “Antes, recebíamos muitas reclamações sobre som alto, alcoolismo e violência. Hoje, os vizinhos dizem que tudo isso acabou. Alguns warao já estão empregados em empresas da região e buscando independência financeira”, evidenciou o Pastor.
A entrevista terminou com um apelo à toda sociedade conquistense para fortalecer o trabalho comunitário. A Igreja Adventista segue recebendo doações e qualquer tipo de contribuição. “Essa é a hora de sermos humanos, de estender a mão, oferecer carinho, cuidado e ajuda. Essas pessoas estão sofrendo e precisam de nós”, conclui o entrevistado.
Igreja e comunidade se unem para acolher indígenas warao da Venezuela em Vitória da Conquista