A partir de quinta-feira (3), o Hospital Geral Prado Valadares (HGPV), em Jequié, passará a contar com a Classe Hospitalar, um novo serviço que visa assegurar a continuidade do processo educativo de crianças e adolescentes internados na unidade. A iniciativa, voltada à humanização do cuidado pediátrico, é resultado da parceria entre o HGPV e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), principal articuladora do projeto.
A Classe Hospitalar funcionará no “Castelinho”, espaço destinado ao atendimento pediátrico dentro do hospital. O projeto foi motivado pelo convite da direção do HGPV à Uesb, com o intuito de avançar em práticas voltadas à humanização da saúde e à conquista do Selo Estadual de Humanização, concedido pela Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab).
Segundo a coordenadora do projeto, professora Tânia Sá, além de atender aos pacientes, a Classe Hospitalar tem também uma função formativa para os estudantes de Pedagogia da universidade. “Queremos consolidar esse campo como área de atuação profissional e de estágio. Muitos dos nossos estudantes já desenvolvem trabalhos na área e, agora, estamos estruturando uma proposta de especialização em Pedagogia Hospitalar”, afirmou.
O projeto é viabilizado com recursos do Auxílio à Extensão (AuxExt), da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex) da Uesb. O apoio da universidade foi essencial para a aquisição de jalecos, brinquedos, materiais pedagógicos e para o custeio de bolsas destinadas às estudantes envolvidas na ação.
Nos meses que antecederam a inauguração, a equipe realizou visitas técnicas ao hospital, promoveu atividades formativas e levou estudantes para experiências práticas na brinquedoteca, emergência e UTI Pediátrica. A atuação da Classe Hospitalar será prioritariamente no turno da tarde, respeitando a rotina clínica dos pacientes pela manhã.
As atividades incluem acompanhamento de tarefas escolares, aplicação de avaliações, atividades lúdicas e envio de relatórios às escolas de origem dos pacientes. O Atendimento Pedagógico Hospitalar (APH) está respaldado por legislações como a Lei 11.104/2005, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), reforçando o direito à educação mesmo durante a hospitalização.
A professora Tânia Sá também antecipou que a universidade pretende expandir o modelo para outras unidades de saúde, como o Hospital Esaú Matos, em Vitória da Conquista. “Nosso objetivo é sensibilizar a comunidade acadêmica e hospitalar de Conquista para iniciar o processo de implantação do APH naquela cidade”, explicou.
A ação é desenvolvida no âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Tempo, Espaço, Educação e Memória (GPTEEM) e do projeto de extensão “O que pode o pedagogo fora da escola?”, ambos vinculados ao Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da Uesb.