O Governo da Bahia apresentou nesta terça-feira (29) a proposta de criação da Reserva da Biosfera da Chapada Diamantina, iniciativa que visa fortalecer o reconhecimento nacional e internacional da importância ambiental, cultural e social da região. A proposta foi discutida em uma reunião conjunta do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram) e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh).
Inspirada pelo programa “O Homem e a Biosfera” (MaB, na sigla em inglês), da Unesco, a proposta baiana segue os princípios estabelecidos pelo organismo internacional: conservação da biodiversidade, promoção do desenvolvimento sustentável e fomento ao conhecimento e à gestão participativa. Se aprovada, a reserva poderá integrar futuramente a rede mundial de Reservas da Biosfera.
A área proposta abrange aproximadamente 4 milhões de hectares, distribuídos entre 42 municípios e 5 territórios de identidade da Bahia. A região também reúne 15 unidades de conservação de proteção integral, 16 de uso sustentável e 16 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
“Estamos na fase de escuta e adaptação. Essa proposta é o primeiro passo, e nosso foco é o diálogo direto com o território”, explicou Guido Brasileiro, da Coordenação de Ações Estratégicas da Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
Além da proposta técnica, foi anunciada a realização da Caravana da Biosfera, que percorrerá cidades da Chapada durante o mês de agosto com ações de informação, escuta e sensibilização das comunidades locais. O objetivo, segundo a Sema, é promover a construção coletiva da proposta junto aos moradores, gestores e instituições que atuam na região.
A Chapada Diamantina é reconhecida por sua diversidade ecológica e cultural. A região abriga biomas como caatinga, campos rupestres e florestas úmidas, além de práticas culturais tradicionais, como o Jarê e atividades sustentáveis como o turismo ecológico e a meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão).
Atualmente, o Brasil possui sete Reservas da Biosfera reconhecidas pela Unesco. A inclusão da Chapada Diamantina dependerá da avaliação futura do Conselho Brasileiro do Programa MaB (COBRAMaB), após as etapas de consulta pública e pactuação com os atores locais.