Na tarde do último sábado (17), aconteceu em Vitória da Conquista a segunda edição da Gaymada, o Campeonato Municipal de Baleado que celebra a diversidade e a inclusão no esporte. A atividade integra a programação da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ da cidade. O objetivo das ações da Marcha é promover a construção de espaços seguros, diversos e repletos de orgulho.
O torneio contou com times temáticos, fantasias criativas, discotecagem de DJs convidados e momentos de confraternização, tudo baseado no respeito à diversidade e claro, muita alegria. Os times se enfrentaram em um sistema de chaves e a equipe ‘Sininho’ levou a melhor na disputa. O evento resgata o tradicional jogo de baleado, ou queimada, todavia repleto de manifestações de caráter cultural e político.
A data escolhida não foi por acaso, no mesmo dia 17 de maio em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Desde então, essa data passou a representar um marco histórico na luta pelos direitos humanos da população LGBTQIA+. Anderson Rocha, coordenador da Marcha do Orgulho de Vitória da Conquista declarou que a iniciativa faz parte de um conjunto de ações que visam o fortalecimento da comunidade na cidade.
Estamos aqui neste dia de combate à LGBTfobia reafirmando o quanto nossa comunidade tem direito a todas as práticas esportivas e o baleado é apenas o começo, depois vamos colocar essa galera pra curtir outras modalidades também”, declarou o coordenador.
Para participar do evento não era necessário ter uma equipe formada previamente, destacando a importância da união que surge na convivência pautada no caráter afetivo, cultural e comunitário do evento. João Moraes, de 28 anos e participante do Programa de Mestrado em Ciências Florestais da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia salientou a importância do evento para a comunidade.
Acredito que este tipo de evento serve para abrir portas para que outros do tipo venham acontecer. Nós somos tão invisibilizados, vivemos numa sociedade que não nos respeita e nem dá oportunidade. Estar aqui nos mostra que somos capazes de estarmos onde quisermos. Fico muito feliz e grato por fazer parte disso”, disse Moraes.
Como parte dos momentos de confraternização, o público curtiu uma apresentação das drag queens Ruby Crystal e Dryda Queen. Há pouco mais de 3 anos, Dryda começou com a manifestação artística que combina vestuário e performance em Vitória da Conquista. Natural de Iguaí, ela afirma estar se sentindo realizada em poder se manifestar livremente e de ter a oportunidade de se apresentar em ocasiões como a Gaymada.
É muito difícil para nós que somos homossexuais estarmos vestidos como drag e afeminadas nas ruas. Por mais que nós sejamos vítimas de homofobia, injúria e ódio, é importante ocuparmos esses lugares, com muita força e com muita garra. O importante é sempre conquistar o nosso lugar”, afirmou Dryda.