Fundada em 2014 com a reabertura do Frigorífico Sudoeste, a empresa tem forte presença em Vitória da Conquista, tanto na distribuição de carnes quanto na geração de empregos. Em entrevista ao Jornal Band News, nesta sexta-feira (04), o CEO da Frigosol, Albert Rezende, detalhou os avanços da empresa e os planos de expansão.
“Já exportamos há algum tempo para a Europa, Japão, parte do Oriente Médio e África, principalmente produtos de equídeos”, explicou Rezende. “Somos hoje praticamente o único frigorífico do Brasil que atende esse mercado. Em maio, fizemos nossa primeira exportação de bovinos, o que foi uma experiência muito interessante.”
A expansão internacional, segundo Rezende, é também uma resposta às mudanças no mercado interno da carne bovina. “A Bahia mudou o perfil de preço por conta do aumento da produção. Precisamos de plantas exportadoras para equilibrar o mercado e valorizar o nosso bovino novamente”, afirmou.
Atualmente, a Frigosol exporta principalmente carne de equídeos para a Europa e, mais recentemente, bovinos para as Filipinas. “Recebemos uma comitiva do Japão no mês passado para tratar da qualidade da nossa carne. Em breve, teremos novidades em relação a esse mercado, que é um dos mais exigentes do mundo”, revelou.
Rezende fez questão de destacar o papel das pessoas nesse processo: “Qualidade se faz com pessoas, não com equipamentos. Nosso time é muito competente e cuida de todo o processo, desde a origem até o final.”
A Frigosol também se destaca pela política de valorização de seus colaboradores. “Tudo começa na contratação. Observamos o perfil da pessoa para que ela esteja na função certa. Depois vem o treinamento, as promoções e o sentimento de pertencimento”, explicou o CEO.
Segundo ele, a empresa prepara os colaboradores mesmo sem experiência prévia. “Nosso sonho é que nossos funcionários sejam cobiçados pelo mercado. Se perdemos alguém, não tem problema. Sabemos treinar e criar talentos”, afirmou. “Estamos sempre contratando e treinando. Ontem mesmo anunciamos novas vagas.”
A Frigosol, hoje o maior grupo de suinocultura da Bahia, opera com granjas em Vitória da Conquista e São Desidério. Segundo Rezende, a produção deve dobrar nos próximos quatro anos. “Vamos deixar de vender apenas carcaças e começar a industrializar: bacon, presunto, linguiças, defumados em geral.”
O novo projeto industrial, ainda em fase de decisão quanto à localização, entre Itapetinga e Vitória da Conquista, deve receber um investimento entre R$ 10 e R$ 15 milhões e gerar cerca de 150 empregos. “A construção deve começar no ano que vem. Já temos números definidos e o projeto está caminhando”, disse.
Questionado sobre a exportação de carne suína, Rezende explicou: “Hoje o Nordeste ainda importa suíno do Sul do país. Mas a Bahia tem se tornado uma grande produtora de grãos, o que nos permite competir com preços mais equilibrados. A exportação de suínos é questão de tempo.”
Como presidente da Associação Baiana de Suinocultores e diretor da Associação Brasileira, Rezende comentou os principais desafios do setor. “A suinocultura baiana vai bem, mas a maior preocupação é com a peste suína clássica. A Bahia está livre, mas temos estados vizinhos com registros da doença. Um foco aqui poderia comprometer até exportações de outras carnes.”
Sobre o cuidado com o meio ambiente e o bem-estar animal, ele destacou o uso de biodigestores nas granjas. “Todo efluente é tratado e usado para adubar pastagens, além de gerar energia. E o bem-estar animal é uma preocupação constante. Seguimos padrões internacionais desde o nascimento do animal até o momento do abate.”
Rezende ressaltou a importância do apoio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), especialmente na recente conquista do status de estado livre de febre aftosa sem vacinação. “Isso abriu uma enorme porta para a Bahia no mercado internacional. Foi um trabalho conjunto com o Ministério da Agricultura.”
Encerrando a entrevista, o CEO fez questão de valorizar os colaboradores e a comunidade local. “Com muito orgulho, sou itapetinguense e cidadão conquistense. Nosso foco é gerar mais empregos e cuidar da comunidade. Um abraço a todos os colaboradores da Frigosol. Vocês fazem toda a diferença”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
por Ana Flávia Costa, sob supervisão