A precariedade nos serviços da perícia médica legal voltou ao centro do debate, com denúncias que escancaram a falta de estrutura, o acúmulo de demandas e os atrasos em exames essenciais para a elucidação de crimes na Bahia. A situação é ainda mais crítica no interior do estado, onde a lentidão na liberação de laudos compromete diretamente o acesso à justiça.
Durante entrevista ao Jornal BandNews desta sexta-feira (1º), o perito médico legal, Eduardo Lopes, destacou a sobrecarga dos profissionais e a ausência de condições adequadas de trabalho nos Institutos Médicos Legais (IML) do estado. Ex-diretor do IML Nina Rodrigues, em Salvador, e atual diretor do Sindicato dos Peritos Médicos da Polícia Técnica, ele afirmou que há exames de DNA pendentes desde 2010 e que análises toxicológicas, por exemplo, chegam a levar quase um ano para serem concluídas.
A coleta de sangue em casos de acidentes, homicídios ou mortes suspeitas, que deveria ser processada com urgência, só é transportada para a capital uma vez por mês, o que já compromete o andamento das investigações desde o início.
Um exame que, em laboratório particular, sairia em meia hora, leva até oito meses para ser liberado. E o de DNA pode demorar mais de cinco anos.”
O perito também chamou atenção para a carência de equipamentos de proteção e a falta de diálogo da gestão estadual com quem atua diretamente nos IMLs do interior.
Como alternativa, Lopes defende a criação de laboratórios regionais, com um núcleo em Vitória da Conquista para atender o sul e o sudoeste do estado. A proposta, segundo ele, já foi formalizada, mas nunca teve retorno da Secretaria de Segurança Pública.
Em cinco anos como diretor, nunca fui chamado para apresentar as necessidades do Nina Rodrigues. Nem eu, nem outros colegas do interior. Quem está na gestão desconhece a realidade que vivemos”, pontuou.