No sertão de Ibiassucê, sudoeste da Bahia, onde a pecuária enfrenta desafios diários como a requeima e os ferimentos causados pela planta tóxica aveloz, dois estudantes do Colégio Estadual Antônio Figueiredo enxergaram oportunidade onde havia dor. Policarpo Costa e Maykon Brito, orientados pelo professor Janilton Almeida, desenvolveram o Pomak Gel, uma pomada fitoterápica feita a partir de plantas medicinais tradicionais, com potencial de transformar o cuidado com bovinos e equinos da região.
A solução nasce do encontro entre o saber popular e o rigor científico. A Pomak reúne babosa, jurema preta e taninos do angico, ingredientes conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e fotoprotetoras. “A gente percebeu que o conhecimento já estava presente nas famílias, era só fundamentar e aplicar”, contou Policarpo, um dos idealizadores.
O gel é produzido artesanalmente em três etapas: extração dos princípios ativos, manipulação dos ingredientes e formulação do produto final. Nos testes realizados, os pesquisadores notaram regeneração rápida da pele e redução visível das feridas nos animais tratados.
Além da eficácia, o Pomak Gel chama atenção pelo custo: enquanto pomadas convencionais custam entre R$0,90 e R$2,80 por grama, a fórmula criada pelos estudantes teria custo estimado em apenas R$0,07 por grama. “É acessível, eficiente e adaptada à realidade do semiárido”, explica o professor Janilton, que defende a produção caseira com as devidas orientações técnicas.
A inovação levou os jovens à final da Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), em Santa Catarina, em 2023, com apoio da Secretaria da Educação da Bahia (SEC). Agora, o gel está em processo de patenteamento, passo essencial para consolidar o produto no mercado fitoterápico e ampliar seu alcance entre os criadores da região.
A iniciativa integra o projeto Bahia Faz Ciência, da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que dá visibilidade a pesquisas baianas com impacto direto na vida das pessoas.