O ritmo acelerado da rotina de trabalho em diversas empresas vem silenciando o avanço de doenças relacionadas ao trabalho. O alerta vem do advogado Emílio Fraga, especialista em direito previdenciário, que denuncia o que chama de “um sacrifício humano em nome da produtividade”.
As doenças do trabalho afetam milhares de profissionais do Brasil segundo dados do AEAT 2023 (Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho da Previdência), elaborados pelo SEE-Fundacentro (Serviço de Epidemiologia e Estatística). O levantamento apontou que aproximadamente 84 acidentes acontecem por hora no país.
Em 2023, foram registrados 257.891 novos casos de auxílio-doença acidentário, o que representa um aumento de 23% em relação a 2022. As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) lideram os afastamentos (42%), seguidas por transtornos mentais (31%) e doenças osteomusculares (18%).
De 2012 a 2024, o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes em empregos com carteira assinada, de acordo com dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, coordenado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Apesar da legislação garantir proteção, os trabalhadores enfrentam uma dura realidade: perícias médicas com espera média de 58 dias, 43% dos benefícios negados na primeira análise, e valor médio de R$ 1.412, valor abaixo do salário mínimo. “Já acompanhei trabalhadores que morreram esperando o benefício. O sistema parece ter sido criado para desestimular, não para proteger”, relata Fraga.
O especialista ainda orienta que a documentação cuidadosa é fundamental: desde os primeiros sintomas e atendimentos médicos até provas das condições de trabalho. Fraga reforça a importância do CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho) como peça-chave para a comprovação do nexo ocupacional. “Recorra sempre. Segundo os dados oficiais, 72% das negativas são revertidas na Justiça. E busque ajuda especializada com sindicatos e advogados. Isso pode fazer toda a diferença”, recomenda.