O Jornal Band News entrevistou nesta terça-feira (22), a médica pneumopediatra Jaqueline Luz, professora do curso de Medicina da Faculdade Santo Agostinho (FASA AFYA) e preceptora do Ambulatório de Pediatria da instituição.
Com a chegada do inverno, crescem os casos de doenças respiratórias, especialmente entre os mais novos. Isso porque, segundo Jaqueline, o sistema imunológico das crianças ainda está em desenvolvimento. “Bem, a região sudoeste da Bahia, em especial as cidades como Vitória da Conquista, ela é marcada por temperaturas mais baixas no inverno e, assim, nesse período as crianças são especialmente afetadas pelas doenças respiratórias. Isso acontece porque o sistema imunológico delas ainda está em desenvolvimento, principalmente nos bebês menores que ainda não tiveram contato com diversos vírus.”
Ela alerta que o frio contribui para a permanência em ambientes fechados e mal ventilados, facilitando a disseminação de vírus como os da gripe, bronquiolite, resfriado e até pneumonia. “Então, nessa época do ano, os cuidados com a saúde das crianças precisam ser redobrados.”
Para os recém-nascidos e bebês pequenos, as orientações são claras: manter os espaços ventilados, mas sem corrente de ar direta, evitar aglomerações e contato com pessoas gripadas. A amamentação segue sendo um pilar importante de proteção. “Manter o ambiente bem ventilado, mas protegido de correntes de vento, evitar aglomerações e contato com pessoas gripadas são medidas fundamentais. A amamentação continua sendo uma forte aliada, pois ajuda a proteger o bebê com anticorpos.”
A médica também enfatizou a importância de roupas em camadas e a observação atenta de sintomas como febre e respiração acelerada. “Roupas encamadas ajudam a manter o bebê aquecido sem causar o superaquecimento. E sempre observar os sinais de desconforto, como irritabilidade, uma respiração mais acelerada e febre. Nesses casos, é essencial procurar um pediatra.”
Durante a entrevista, ela falou sobre a baixa adesão à campanha de vacinação e como isso se tornou preocupante. Jaqueline foi enfática ao reforçar o papel da imunização como forma de proteção não só para as crianças, mas também para os adultos com quem elas convivem.
“A vacinação é uma das medidas mais eficazes de prevenção de doenças graves, especialmente no inverno, quando há maior circulação de vírus respiratórios. Proteger as crianças por meio das vacinas é essencial, mas também é muito importante que os adultos ao redor delas estejam vacinados, especialmente contra a gripe, coqueluche, por exemplo. Quando todos se vacinam, a gente forma proteção coletiva, o que é essencial para proteger os bebês menores de seis meses, principalmente, que ainda não podem tomar algumas vacinas como a da gripe. Então, a baixa adesão à vacina é um risco real.”
Perguntada sobre o desafio de atender crianças nos períodos de maior demanda, a médica destacou que, embora haja dificuldades, o vínculo criado com os pacientes infantis e suas famílias faz toda a diferença. “Então, atender crianças tem seus desafios, mas é também uma das experiências mais gratificantes da medicina. Elas nem sempre conseguem expressar com palavras o que estão sentindo, então a gente precisa estar muito atento. Ao olhar, ao comportamento, ao choro. Então é um exercício bem constante de escuta, paciência e sensibilidade.”
Jaqueline também ressaltou a importância da formação prática dos futuros médicos. “Aqui na FASA, em Vitória da Conquista, os nossos estudantes têm essa vivência prática em unidade de saúde e ambulatório desde os primeiros ciclos. Então, eles acompanham os atendimentos de perto, vêem a realidade do SUS e aprendem também a escutar e cuidar com empatia.”
Para encerrar, a pneumopediatra compartilhou dicas fundamentais para cuidar das crianças em tempos frios e prevenir crises respiratórias “Nesses momentos, quando a gente tem uma criança com algum quadro respiratório, o mais importante é agir com calma e atenção. Então, manter a criança bem tratada, oferecer refeições leves e nutritivas. Naquelas crianças que já têm uma doença de base, como asma ou rinite alérgica, evitar contato com poeira, mofo, fumaça, principalmente fumaça de cigarro, e manter o uso das medicações de controle, que é muito importante para evitar crises.”
Ela ainda recomendou um cuidado simples, mas muito eficaz: “A lavagem nasal com soro fisiológico é um cuidado bem simples, mas que vai ajudar bastante, fornecendo conforto, principalmente na hora de dormir e naqueles bebezinhos que ainda mamam.”
E concluiu: “Se esse quadro não melhorar, ou se a criança apresentar sinais de cansaço, de esforço para respirar, o pediatra deve ser procurado imediatamente. E quando a gente fala de prevenção, não tem segredo. Manter as vacinas em dia, a consulta com o pediatra em dia também, higienizar bem as mãos, arejar os ambientes, evitar locais fechados e também aglomerações. São atitudes bem simples, mas que fazem uma enorme diferença para garantir que as crianças passem por essa estação com mais saúde e proteção.”
por Ana Flávia Costa, sob supervisão