A forte chuva que atingiu Vitória da Conquista na noite de domingo (9) provocou alagamentos e destruição no bairro Jurema, deixando dezenas de famílias em situação de desespero. De acordo com a Defesa Civil, o volume de precipitação superou o esperado e causou danos na drenagem urbana. “Nós tivemos em torno de 72 milímetros nos locais com maior precipitação, especialmente na região da Patagônia. Nos primeiros 40 minutos, esse pico chegou a 57 milímetros, o que provocou danos na infraestrutura de drenagem pluvial e acarretou alagamentos de vias e residências”, explicou o coordenador Gabriel Queiroz.
O técnico destacou o risco de tragédias na área. “As pessoas viram um cidadão que perdeu a visibilidade, acabou entrando no córrego e, graças a Deus, saiu com vida. Ali na Baixa do Jurema há um grande fluxo de água que passa por aquele canal da Rua Caracas. Já houve registros de alagamentos desde a década de 70. Apesar de algumas melhorias, situações de precipitação anormal ainda causam estragos”, disse. Um dos momentos mais críticos foi quando um carro foi “engolido” pelo canal pluvial. “Quase tivemos uma vítima fatal. Os bombeiros estiveram no local, mas não puderam iniciar a remoção devido à falta de visibilidade”, completou.
Entre os atingidos, Dona Mariângela, de 63 anos, perdeu móveis e eletrodomésticos. “Todo ano que vem a chuva, eu perco as coisas. A cama da minha mãe, de 89 anos, se perdeu. Sofrimento demais, colchão por cima de coisa, todo ano é assim”, lamentou. Ela criticou a ausência de representantes políticos. “A Defesa Civil esteve aqui, falou dos móveis. Mas político? Nenhum. Desde o ano retrasado nunca veio ninguém. A gente dá o voto, eles somem”, desabafou. A idosa precisou ser resgatada pelos braços da filha. “Ela achou que ia morrer afogada. Foi um desespero.”
O morador Wilson Gonçalves também enfrentou momentos de pânico ao tentar salvar as três filhas pequenas. “Se eu não pegasse as crianças e saísse pela janela, não dava tempo. A água subiu muito rápido. Só tem um bueiro aqui e ainda entupido de lixo. Não tem lógica”, contou. Desempregado, teme o que virá. “A Defesa Civil disse que eu tenho que sair porque a parede tá rachada. Mas não tenho pra onde ir.” Para Manoelzito de Oliveira, o problema é antigo. “Já é a terceira ou quarta vez que acontece. Falta obra bem feita e limpeza. Enquanto não arrumarem a Nestor Guimarães, todo ano alguém vai perder o que tem.” A Defesa Civil segue monitorando as áreas de risco e alerta para novas chuvas nos próximos dias.