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CCJ da Câmara aprova PEC que pode proibir todos os casos legais de aborto no Brasil

novembro 28, 2024
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode proibir todas as formas legais de aborto no Brasil. Atualmente, o aborto é permitido em três situações: risco de morte para a gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia (má-formação do cérebro do feto). Se a PEC for aprovada, o aborto seria proibido mesmo nesses casos.

A proposta, que foi discutida com protestos de manifestantes do movimento feminista, recebeu 35 votos favoráveis e 15 contrários. Ela foi apresentada em 2012 pelo ex-deputado Eduardo Cunha (então no MDB) e garante a “inviolabilidade do direito à vida desde a concepção”, ou seja, considera que a vida começa no momento da fecundação, o que impede qualquer interrupção da gestação, mesmo em situações excepcionais.

A PEC agora seguirá para uma comissão especial, que será criada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), para analisar o mérito da proposta. Se aprovada na Câmara, a PEC será enviada ao Senado, onde passará por uma análise semelhante.

Organizações sociais, como a Rede Nacional Feminista de Saúde, publicaram um manifesto contra a proposta, alegando que ela pode não só proibir o aborto legal, mas também dificultar a fertilização in vitro e até a realização de pesquisas científicas com embriões. Além disso, alertam que a proposta pode impactar negativamente os direitos das mulheres e as opções de planejamento familiar.

A discussão também gerou divisões entre os parlamentares. Para alguns, a proposta representa a defesa da vida desde a concepção, enquanto para outros, é uma forma de obrigar mulheres a seguir com a gestação, mesmo em casos de estupro.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) chamou a proposta de “PEC do Estuprador”, enquanto outras parlamentares, como Julia Zanatta (PL-SC), defenderam a medida como uma “necessidade civilizatória”. A relatora da PEC, deputada Chris Tonietto (PL-RJ), afirmou que a expressão “desde a concepção” é de caráter científico e deveria ter sido incluída na Constituição em 1988, mas foi considerada redundante na época.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) criticou a proposta, alertando que ela poderia inviabilizar pesquisas com células-tronco, enquanto o deputado Bacelar (PV-BA) considerou a PEC inconstitucional, por ferir direitos fundamentais e a dignidade humana. O debate continua acirrado e a proposta ainda passará por mais etapas antes de se tornar uma emenda constitucional. Agora, a proposta seguirá para uma comissão especial e, se aprovada, será submetida à votação no Plenário da Câmara, onde precisa de pelo menos 308 votos favoráveis em duas rodadas para ser aprovada.

Por Ana Carolina Bastos, sob supervisão

Diretamente da redação, artigo publicado por:

Redação

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