A Seleção Brasileira perdeu para o Japão pela primeira vez na história em amistoso na manhã desta terça-feira (14) com apagão no segundo tempo e erros grotescos da zaga.
A preparação para a Copa do Mundo nesta data Fifa estava indo muito bem com a grande vitória contra a Coréia do Sul na última sexta (10) e com o ótimo primeiro tempo contra o Japão, mesmo com as grandes mudanças. Mas veio o segundo tempo, que a partir do erro de Fabrício Bruno, tudo deu errado.
O primeiro tempo se assimila muito com o que foi contra a Coréia, mas a diferença foi justamente o adversário. A seleção japonesa tem mais organização tática e mais jogadores de ponta, inclusive, todos que iniciaram os jogos atuam na Europa. Inclusive, a primeira chegada com perigo do jogo foi do Japão, com jogada de Doan e finalização de Minamino, que por pouco não abriu o placar.
O Brasil só conseguiu furar a defesa japonesa repetindo o que deu certo contra os coreanos: com troca de passes entre Lucas Paquetá e Bruno Guimarães, que mais uma vez acertou um passe milimétrico para Paulo Henrique, lateral do Vasco, abrir o placar com linda finalização de três dedos.
O segundo gol foi com uma jogada parecida, tabela na entrada da área entre Vini Júnior e Lucas Paquetá, que fez lindo passe por cobertura para Martinelli que atacou as costas da zaga para ampliar o placar.
Foi então que veio o segundo tempo e as coisas desandaram, quando Fabrício Bruno tem erro grotesco e entrega a bola nos pés do meia do Mônaco, Minamino, que descontou.
E a partir daí a seleção brasileira ficou perdida em campo, com a defesa frágil e o ataque sem conseguir aplicar o que fez no primeiro tempo. A defesa brasileira foi um problema no segundo tempo, mas a lateral esquerda foi um ponto negativo durante todo o jogo, Carlos Augusto não acertou nenhum desarme e sofreu com os avanços de Takefusa Kubo e Doan, que joga na Real Sociedad e Frankfurt, respectivamente.
E foi assim que saiu o segundo gol japonês, com troca de passes dos dois jogadores, Kubo recebeu a bola nas costas de Carlos Augusto e cruzou para Nakamura que finalizou para Fabrício Bruno fazer contra.
O Brasil chegou a balançar as redes com Matheus Cunha depois de bela jogada de Luiz Henrique pela esquerda, mas foi assinalado impedimento do ponta brasileiro. O jogador do Zenit, inclusive, fez partida abaixo do que se esperava dele. Na maior parte das vezes que teve a bola no pé, tentou a jogada individual e foi desarmado pelos jogadores do Japão.
O gol da virada veio após cobrança de escanteio, onde sete jogadores do Brasil se movimentam para cortar a bola na primeira trave, mas o cruzamento vai no meio da área, onde Ueda, jogador do Feyenoord, se antecipa a Beraldo e marca. Outro erro na jogada foi do goleiro Hugo Souza, que não defendeu cabeçada que foi em cima dele.
A troca de passes, que foi algo determinante para a seleção nos dois gols, não voltou a acontecer. Os jogadores de ataque que entraram no segundo tempo, Rodrygo e Estevão, tentaram muitas jogadas individuais, mas sem obter sucesso. Richarlison que também entrou e não conseguiu ajudar o Brasil em nenhum momento.
A derrota inédita do Brasil faz com que os pés voltem ao chão depois de golear a Coréia, mas não se deve tratar essa derrota como total fracasso, já que ela foi condicionada, principalmente, por falhar individuais. Agora resta a Carlo Ancelotti analisar e consertar os erros, e isso inclui a não convocação de alguns jogadores que mais comprometeram do que ajudaram.
Jogadores como Fabrício Bruno, Carlos Augusto, Joeliton e Richarlison não apresentam nível para jogarem pela Seleção Brasileira, e outros jogadores como Beraldo, André e João Gomes sofrem pela ampla concorrência na posição.
O Brasil voltará a jogar ainda este ano na data Fifa de novembro, contra as seleções da Tunísia e de Gana. Ancelotti em entrevista coletiva antes da partida desta terça, afirmou que as partidas de novembro serão realizadas os últimos testes, e que no ano que vem, os amistosos contra seleções europeias já devem ser com a lista que irá à Copa do Mundo.
Por Matheus Guimarães