O Brasil avançou mais um passo rumo à autossuficiência na produção de hemoderivados com a entrega de 604 equipamentos de alta tecnologia para a Hemorrede pública. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou o impacto direto da medida, um aumento inicial de 30% no aproveitamento do plasma e uma economia estimada em R$ 260 milhões por ano, reduzindo a necessidade de importar medicamentos essenciais. A Bahia receberá 11 novos equipamentos distribuídos entre Barreiras, Eunápolis, Feira de Santana, Salvador e Vitória da Conquista.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa, financiada com R$ 116 milhões do Novo PAC Saúde, beneficiará 125 serviços de hemoterapia em 22 estados até o primeiro trimestre de 2026. A chegada de blast freezers, ultrafreezers e freezers eleva a capacidade de congelamento e armazenamento do plasma em condições industriais, garantindo matéria-prima suficiente para que a Hemobrás opere em sua plena capacidade e processe até 500 mil litros por ano.
Padilha ressaltou que, durante anos, o país precisou importar hemoderivados, deixando pacientes em situação de vulnerabilidade. Para ele, a modernização da Hemorrede e a expansão da produção nacional representam um marco de soberania sanitária. As melhorias também reforçam o trabalho da Rede NAT, referência internacional na detecção precoce de vírus em doações de sangue, tecnologia 100% brasileira desenvolvida pela Fiocruz.
O anúncio ocorre durante a Semana Nacional do Doador de Sangue. Em 2024, o Brasil coletou mais de 3,3 milhões de bolsas, mas apenas 13% do plasma disponível é usado em transfusões, o que revela grande potencial para ampliar a produção de medicamentos. Com mais tecnologia, capacidade de armazenamento e segurança nas análises, o país pretende garantir maior estabilidade no abastecimento e reforçar o cuidado a pacientes com doenças raras, imunodeficiências e distúrbios de coagulação.