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Brasil enfrenta altos índices de mortalidade materna e reforça urgência em medidas de prevenção

maio 28, 2025
Foto: Freepik

O dia 28 de maio marca uma data fundamental na luta pelos direitos e pela saúde das mulheres. Reconhecido internacionalmente como o Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher, foi instituído em 1984, na Holanda, durante o IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, após denúncias ao Tribunal Internacional de Violação dos Direitos Reprodutivos.

No Brasil, o Ministério da Saúde adotou a mesma data como o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, com o objetivo de chamar atenção para a necessidade urgente de melhorias na assistência obstétrica, promovendo assim o 5º Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A mortalidade materna é uma questão crítica e evitável. A maioria das mortes decorre de causas como pré-eclâmpsia e eclâmpsia (hipertensão na gravidez), hemorragias graves após o parto, infecções, complicações durante o parto e abortos inseguros.

Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), essas causas representam cerca de 75% de todas as mortes maternas e, na maioria dos casos, podem ser prevenidas com acesso adequado a serviços de saúde. Além das causas diretas, doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e cânceres ginecológicos também são responsáveis por altos índices de mortalidade entre mulheres em idade fértil. Em 2018, o Brasil registrou 63.693 óbitos de mulheres nessa faixa etária, segundo o DATASUS.

A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, especialmente pelos impactos sobre os serviços de saúde e pelo aumento da violência doméstica. Além disso, problemas de saúde mental como depressão, que já figuravam entre as principais causas de morbidade, se intensificaram no período. Estas datas, como o 28 de maio, são fundamentais para conscientizar a sociedade sobre os diversos problemas de saúde enfrentados pelas mulheres e estimular políticas públicas, formação profissional e engajamento coletivo para enfrentá-los.

Bahia apresenta uma das piores taxas do país

Na Bahia, a situação da mortalidade materna é alarmante. Entre 2017 e 2021, a razão de mortalidade materna (RMM) foi de 70,8 mortes por 100 mil nascidos vivos, número muito acima da meta nacional de 30 mortes por 100 mil até 2030. Em 2021, esse índice chegou a 107,53, evidenciando a urgência de ações concretas.

Diversos fatores contribuem para essa realidade, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, principalmente em regiões periféricas e rurais, além de desigualdades sociodemográficas. As mortes são mais frequentes entre mulheres de 40 a 49 anos, solteiras, com baixa escolaridade e de raça parda. A crise sanitária da pandemia também impactou gravemente, com aumento de 85,9% nos óbitos maternos no Nordeste e 77,3% na Bahia em 2020.

Para enfrentar esse quadro, a Bahia vem implementando estratégias como o Programa de Redução da Mortalidade Materna e a Vigilância Epidemiológica do Óbito (VEO), que identifica os fatores de risco e orienta políticas públicas com base em boletins epidemiológicos.

Vitória da Conquista adota medidas locais

Já no município de Vitória da Conquista, foram registrados 14 óbitos maternos entre 2017 e 2022, com exceção de 2020, quando não houve nenhum caso. As principais causas foram hemorragias e abortos, ambas relacionadas a complicações obstétricas diretas. A cidade tem adotado estratégias para fortalecer o atendimento integral à gestante, com foco na qualificação do pré-natal, acompanhamento humanizado do parto e puerpério, e investimentos na formação de profissionais da saúde.

O município também participa de ações estaduais e nacionais, visando aprimorar a coleta e análise de dados, bem como a tomada de decisões baseadas em evidências. Ainda assim, os desafios persistem, e é essencial que as mulheres, famílias e profissionais estejam atentos aos sinais de alerta, como inchaço, dores de cabeça intensas, alterações na visão e febre após o parto, sintomas que exigem atenção médica imediata para evitar complicações graves, como a eclâmpsia e a infecção puerperal.

O 28 de Maio é, portanto, mais do que uma data simbólica. É um lembrete da urgência de proteger a saúde das mulheres em todas as fases da vida, especialmente durante a gravidez e o pós-parto, com ações concretas e políticas públicas eficazes.

Diretamente da redação, artigo publicado por:

Redação

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