O Ministério da Saúde anunciou, na noite desta quinta-feira (29), a aprovação de nove novas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), entre elas a proposta da Bahiafarma em conjunto com a empresa Bionovis S.A. para a produção nacional do medicamento eculizumabe. O remédio é essencial no tratamento da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), uma doença rara e grave que afeta a medula óssea.
O anúncio foi feito durante reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis), em Brasília, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, e da presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes.
A aprovação é considerada um marco estratégico para a soberania sanitária do Brasil. Apenas em 2023, o país gastou mais de R$ 1 bilhão na importação do eculizumabe. Com a produção nacional, a expectativa é de economizar mais de R$ 6,1 bilhões ao longo da próxima década, além de garantir mais segurança e acesso ao tratamento para pacientes do SUS.
A proposta da Bahiafarma prevê a transferência total da tecnologia de produção do medicamento, incluindo os bancos celulares mestre e de trabalho, que atualmente estão sob domínio da Samsung Bioepis, da Coreia do Sul, parceira internacional da Bionovis no projeto. A implantação da planta biotecnológica e a internalização completa da tecnologia devem ocorrer no prazo de até dez anos, com início imediato após a assinatura do Termo de Compromisso.
Para a secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, a conquista reafirma o protagonismo do estado na política nacional de saúde. “Essa é uma vitória para a Bahia e para o Brasil. Estamos falando de economia, sim, mas também de acesso, dignidade e fortalecimento do SUS. A Bahia está pronta para cumprir seu papel como polo estratégico da biotecnologia brasileira.”
Já a presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, destacou que o projeto inaugura um novo momento para a instituição. “Produzir um medicamento biológico de alta complexidade como o eculizumabe mostra nossa capacidade de inovar e avançar com responsabilidade, ao lado de parceiros de excelência e com apoio do governo federal.”
A iniciativa faz parte de um conjunto de PDPs que buscam descentralizar a produção de medicamentos e insumos estratégicos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. No total, os novos projetos aprovados somam mais de R$ 2 bilhões em aquisições anuais e são considerados fundamentais para reduzir a dependência do Brasil do mercado internacional e ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade.