Na última terça-feira (15), foi oficializada a contratação do SENAI Cimatec para conduzir os estudos técnicos que irão subsidiar a nova estratégia industrial da Bahia. A iniciativa é coordenada conjuntamente pelas Secretarias de Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Planejamento (SEPLAN), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).
O projeto integra o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2035 e tem como meta identificar vocações regionais, mapear gargalos estruturais e propor diretrizes para a reindustrialização do estado, em sintonia com as transições tecnológica, ambiental e territorial.
A proposta está estruturada em quatro eixos principais:
• Digitalização produtiva, com foco na transformação tecnológica das indústrias;
• Reconversão ambiental, alinhada à agenda de transição ecológica;
• Fortalecimento das cadeias produtivas regionais, valorizando as vocações locais;
• Atração de investimentos sustentáveis, para ampliar a competitividade e gerar emprego.
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Angelo Almeida, o cenário global exige planejamento de longo prazo. “O estudo permitirá reposicionar a Bahia no cenário nacional e internacional, com uma política industrial sólida e capaz de gerar inclusão produtiva em todas as regiões do estado”, afirmou.
O secretário do Planejamento, Cláudio Peixoto, destacou que o estudo será incorporado à revisão do plano estratégico de longo prazo até 2050. Segundo ele, a política industrial é essencial para impulsionar emprego, renda e a integração entre setores estratégicos da economia baiana, considerando o impacto das novas tecnologias, das mudanças climáticas e da reorganização das cadeias globais de valor.
O superintendente da FIEB, Vladson Menezes, reforçou a importância de transformar o potencial da Bahia em resultados concretos. “Com base em dados e entrevistas com atores-chave da economia, vamos construir um diagnóstico qualificado para orientar decisões públicas e privadas de forma coordenada”.
Além de promover a competitividade, o projeto também visa reduzir desigualdades regionais por meio da interiorização do desenvolvimento industrial, estimulando a geração de empregos qualificados fora da capital e ampliando a base produtiva em diferentes municípios.
De acordo com André Oliveira, superintendente de Novos Negócios do SENAI Cimatec, os estudos devem durar cerca de oito meses. As entregas técnicas serão validadas por PNUD, SEPLAN e SDE, com uma metodologia voltada à elaboração de um diagnóstico estratégico e à formulação de políticas públicas industriais de médio e longo prazos.
A proposta marca um passo importante no reposicionamento industrial da Bahia, mas enfrenta desafios relacionados à infraestrutura logística, à qualificação da mão de obra e ao ambiente regulatório. A efetividade da política dependerá da capacidade de implementação das propostas, da participação ativa do setor produtivo e da articulação com políticas nacionais de reindustrialização, ainda em estágio inicial. Para que o plano tenha impacto real, será essencial que seus resultados se transformem em ações concretas, com orçamento, metas e mecanismos permanentes de acompanhamento.