A Bahia abriga cinco das dez cidades mais violentas do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (24). O ranking nacional tem Jequié, no sudoeste do estado, em segundo lugar, com taxa de 77,6 homicídios por 100 mil habitantes, atrás apenas de Maranguape, no Ceará, com 79,9.
Outros municípios baianos que aparecem na lista são Juazeiro (76,2), Camaçari (74,8), Simões Filho (71,4) e Feira de Santana (65,2). A presença massiva de cidades do Nordeste entre os dez primeiros coloca em evidência a escalada da violência na região.
O levantamento também indica a Bahia como o segundo estado mais violento do país, com média de 40,6 homicídios por 100 mil habitantes, atrás apenas do Amapá (45,1) e à frente do Ceará (37,5).
Apesar da posição elevada, a Bahia apresentou uma queda de 8,4% na violência letal em relação a 2023, quando a taxa era de 44,4 por 100 mil.
Segundo o criminalista e professor de Direito Penal Luiz Requião, o avanço e a organização das facções criminosas são fatores determinantes para o agravamento do cenário. “As organizações estão cada vez mais estruturadas, com comandos atuando de dentro de penitenciárias ou até de bairros nobres, ampliando seu alcance inclusive para o ambiente virtual com golpes e fraudes”, analisa.
Requião também critica o modelo atual de combate às drogas: “Estamos prendendo mais, matando mais, mas o comércio de entorpecentes continua crescendo. Essa política de guerra às drogas não tem apresentado resultados eficazes.”
Além da atuação do crime organizado, o especialista destaca o déficit de policiamento e a ausência do Estado como agravantes. “Onde o Estado não está presente, o poder paralelo se estabelece. Segurança pública precisa vir acompanhada de estrutura social.”
Apesar do cenário preocupante em alguns estados, o país registrou uma queda de 5,4% nas mortes violentas intencionais em 2024, com mais de 44 mil casos, o menor número desde 2012. As regiões Nordeste (33,8) e Norte (27,2) seguem com as maiores médias.
As principais vítimas continuam sendo homens negros, jovens de até 29 anos, mortos por arma de fogo em via pública. Em contrapartida, São Paulo (8,2), Santa Catarina (8,5) e Distrito Federal (8,9) apresentaram os menores índices de homicídios no país.