Em entrevista ao Jornal Band News desta sexta-feira (15), apresentado por Rodrigo Ferraz, Sheila Lemos e Marcelo Bonfá, as psicólogas Jessiane Mendes e Ana Luíza Silva, destacaram a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, que estabelece diretrizes de saúde e segurança ocupacional e tem provocado discussões em empresas de todo o país sobre o risco psicossocial no trabalho. Elas reforçaram que o foco não está apenas nos riscos físicos, químicos e biológicos, mas também nos fatores emocionais e organizacionais. “O ambiente em si, sendo aquele fator de adoecimento pra o colaborador, pra onde que o Ministério do Trabalho começou a olhar, vamos olhar pra dentro das empresas”, explicou Ana Luísa.
As especialistas esclareceram que a norma não exige que as empresas cuidem da vida pessoal dos funcionários, mas sim, que analisem como os processos internos, a liderança e a comunicação podem impactar emocionalmente os trabalhadores. “A norma não pede isso, a norma pede que a gente avalie o que tem no ambiente que pode ser um fator de adoecimento no trabalho.”, afirmou Ana Luíza. Jessiane reforçou que muitas empresas ainda interpretam a atualização de forma equivocada. “Então, assim, a empresa vai tratar essa liderança. Então, hoje, assim, a própria norma traz o que a empresa deve fazer em relação aos riscos.”, afirmou. As auditorias começam a partir do dia 26 de maio, inicialmente com caráter orientativo pelos próximos 90 dias.
As psicólogas também destacaram que a saúde mental depende de uma construção coletiva entre empresa, gestores e colaboradores. Para elas, ambientes tóxicos, falhas de comunicação, ausência de reconhecimento e excesso de demandas podem desencadear quadros de sofrimento emocional. “A ideia em si da NR1 é a gente não ter fatores nesse ambiente que pode causar ali desmotivação, estresse crônico, ansiedade no colaborador”, explicou Jessiane. Ao comentar sobre a possível mudança da escala 6×1 para 5×2, as especialistas avaliaram que a medida pode contribuir diretamente para o bem-estar e produtividade dos trabalhadores. “Quando você dá ao colaborador essa oportunidade, isso já traz para o colaborador aquela sensação de bem-estar. A empresa, ela me proporciona isso”, destacou Jessiane. Ana Luíza concordou: “É uma PEC que vai ajudar muito as empresas, países mais desenvolvidos já atuam assim e a gente vê o quanto esses países crescem”.
Confira a entrevista completa: