As últimas 11 ararinhas-azuis mantidas em ambiente natural no Brasil foram diagnosticadas com circovírus, doença letal e sem cura que provoca alterações nas penas e deformações no bico. As aves, repatriadas da Europa e integradas ao programa de reintrodução da espécie em Curaçá (BA), foram recapturadas em novembro após determinação judicial. Os exames confirmaram a infecção em todos os indivíduos, que agora permanecem sob cuidados do ICMBio e sem possibilidade de retorno à natureza.
Uma série de falhas sanitárias foram identificadas no criadouro Blue Sky, responsável pelos animais. As equipes do ICMBio, Inema e Polícia Federal encontraram viveiros e comedouros sujos, acúmulo de fezes ressecadas e ausência de equipamentos de proteção individual durante o manejo. Diante das irregularidades e do descumprimento de notificações anteriores, o instituto aplicou multa de R$ 1,8 milhão ao criadouro e ao seu diretor. Também houve autuação do Inema, que somou aproximadamente R$ 300 mil.
A contaminação acendeu alertas porque o circovírus é comum na Austrália, mas raro na região da Caatinga. O ICMBio conduz investigações para identificar a origem do agente e trabalha na separação dos animais positivos e negativos, a fim de reforçar protocolos de biossegurança. A situação ocorre após o rompimento, em 2024, do acordo de cooperação entre ICMBio e a organização alemã ACTP, motivado por descumprimento de compromissos, incluindo a transferência não autorizada de ararinhas para a Índia. As ações de conservação seguem sob coordenação federal, com foco no manejo ex situ e na manutenção da espécie, considerada uma das mais raras do mundo.