A ex-jogadora de vôlei, Ana Paula, que atualmente mora nos Estados Unidos, é contra a participação de Tifanny mulher trans que defende o Bauru no atual temporada da Superliga feminina de vôlei. E ela tem uma explicação.

“Me preocupa porque a gente já escuta que existem de quatro a seis atletas trans prontas pra ingressar na Superliga feminina. Agentes esportivos já estão oferecendo aos técnicos. Ou seja, se essas  indicações foram efetivadas,  cinco mulheres vão perder espaços para cinco homens biológicos . A gente pode chamar de elas, dizer que são mulheres, que se sentem como, mas no caso são corpos que foram construídos com testosterona por 25, 30 anos”, disse em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes.  “Essa é a forma mais suprema em relação é que tira os espaços das mulheres, exclui as mulheres”.

Medalha de bronze com a Seleção Brasileira em Atlanta 1996, cobra um melhor posicionamento do Comitê Olímpico Internacional e principalmente da Confederação Brasileira de Vôlei.

“Me preocupa demais esse assunto de não estar sendo abordado de uma maneira mais séria pelo Comitê olímpico e principalmente pela CBV , que pode suspender essa recomendação nacionalmente”, destacou.

Antes de jogar no Brasil, Ana Paula lembrou que Tifanny tentou jogar no voleibol italiano, mas sem sucesso. “A Confederação Italiana vetou a Tifany na Liga A. Ela jogou a B, porque na própria Liga A as jogadoras e os clubes  foram até a Confederação Italiana e disseram que não iam aceitar se não houvesse um estudo mais aprofundado.  Uma das razões para a Tiffany ter ido ao Brasil”.

A ex-jogadora destacou ainda que não se trata de um preconceito contra trans. “É sempre muito importante a gente evidenciar, que essa não é uma pauta sobre tolerância e preconceito ou homofobia. Hoje em dia existe muita gritaria e até um movimento de calar qualquer oposição, ideia contrária a patrulha ideológica, do politicamente correto.  A batalha da Tifany  pra ter uma  vida condizente ao que ela sente é uma batalha digna, pessoal dela, inimaginável pra quem não passa por isso . Nesse ponto a gente tem que elucidar, também sempre apoiar a tolerância em relação a  homossexualidade, ao transgênero, a sociedade. O problema é quando a gente traz essa pauta do transgênero para o esporte a gente cruza uma fronteira, que é da biologia, da fisiologia humana”, explicou.

“A gente tem que ficar sempre muito atento o que pé a tolerância, biologia até porque desde o primeiro evento oficial que eu joguei pela Seleção Brasileira, que foi em 89 no Mundial Infanto-Juvenil, em Curitiba, desde aquele momento, aos 17 anos, eu fiz exames antidoping  a vida toda. Aqui em Los Angeles mesmo, nos últimos anos que joguei eu recebi a visita da Agência Mundial Antidoping da Wada, três vezes. Ou seja, sempre existiu uma patrulha médica  em cima de nós mulheres pra que a gente não construíssemos o nosso corpo com o hormônio masculino, pois o ganho é muito grande. Esse parâmetro rigoroso para as mulheres foi abandonado no caso da Tifany. È uma injustiça muito grande”. Comentou.

“Um corpo que foi construído com testosterona durante 20 anos, não é um ano sem testosterona que as benefices vão ser apagadas daquele corpo.  Foi construído à base de muito hormônio masculino, os músculos, a osso, pulmão são maiores . O coração é maior, pois existe mais oxigenação no sangue”.

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