Um cirurgião italiano anunciou no Tedex que fará até dezembro deste ano o primeiro transplante de cabeça humana da história – e está provocando polêmica no meio científico. (vídeo abaixo)

Sergio Canavero coordena o Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim. Ele pretende transplantar a cabeça do russo Valery Spiridonov, de 32 anos, que sofre de uma doença degenerativa chamada Werdnig-Hoffmann, um tipo de atrofia muscular espinhal.

O problema leva à fraqueza muscular e a pessoa deixa de andar, tem dificuldades para mastigar, engolir e respirar. Spiridonov se candidatou para o experimento. Ele acredita que essa é uma chance de aumentar seu tempo de vida e abrir alas a novos tratamentos, que poderiam beneficiar muita gente.

Canavero pretende cortar a cabeça de Valery e instalá-la no corpo de um doador recém-morto.

Com isso ele pretende salvar a vida de pacientes com doenças motoras ou degenerativas, que não conseguem movimentar tronco, quadril, braços e pernas, mas possuem o cérebro funcionando normalmente.

Em parceria com cientistas chineses e sul-coreanos, o controverso médico publicou uma série de artigos em que disse ter obtido bons resultados em cirurgias com ratos, macacos e cachorros.

Como

A cabeça e o corpo passariam por um resfriamento. Assim, as células ficariam congeladas e sobreviveriam por um tempo sem oxigênio.

Depois, com as duas partes cortadas, um procedimento minucioso costuraria e reconectaria as principais veias e artérias que passam pelo pescoço.

O grande desafio está em como religar a medula, estrutura que passa dentro da coluna vertebral e transmite os comandos cerebrais para o resto do organismo.

Para permitir que as duas partes diferentes se unam, Canavero aposta numa substância chamada polietilenoglicol, ou PEG, que teria capacidade de incentivar o crescimento de algumas das células do sistema nervoso.

A cirurgia

A cirurgia pioneira deve demorar 36 horas, envolverá uma equipe de 150 profissionais e custará mais de 30 milhões de dólares.

O paciente será mantido em coma por um mês. Durante esse período, os experts colocarão eletrodos em seu corpo, que darão pequenos choques elétricos para estimular a medula e reforçar as conexões nervosas.

Depois disso o médico acredita que o paciente será capaz de falar e mover o rosto. Dentro de um ano de fisioterapia intensiva, vai andar e se mexer normalmente.

Frankenstein

O próprio Canavero se compara a Frankenstein, o cientista da clássica história da escritora britânica Mary Shelley.

Atualmente, ele desenvolve métodos de aplicação de correntes elétricas em cadáveres, para permitir que as células de todos os órgãos se mantenham “vivas” por mais tempo.

Críticas

A maioria da classe médica é contrária às experiências de Canavero.

Arthur Caplan, professor de bioética da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, diz que o italiano está “fora de si”.

Outros o acusam de fazer marketing. Muitos também questionam se é correto e ético submeter um ser humano a uma cirurgia que nem foi testada direito em animais.

Nos anos 1970, o americano Robert White, da Universidade Harvard, realizou o procedimento em um macaco.

O primata sobreviveu sem mexer o corpo – sua medula não foi reconectada. Ele sobreviveu por apenas oito dias.

Mais recentemente, o chinês Xiaoping Ren, que colabora com Sergio Canavero, anunciou ter realizado mais de mil transplantes de cabeça em ratos. Repórteres do The Wall Street Journal afirmaram terem visto os roedores se movimentando normalmente após a troca, mas os bichinhos viveram por apenas alguns minutos.

Onde

Canavero aguarda um país que aceite hospedar a experiência. Os mais prováveis são China e Vietnã.

Com informações do SaúdeAbril e Tedex

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